quinta-feira, 27 de junho de 2013

Musicos desaparecidos do palco II


Alguém os viu por aí?

Músicos desaparecidos dos palcos (II)

Cantar não é fácil. Torna-se muito mais difícil quando tencionamos fazer este tipo de arte por dinheiro ou fama, quando devia ser por amor ou talento. Muitos dos que ontem foram considerados cantores de sucesso também estão desaparecidos por não saberem gerir a sua carreira. Entende-se que, para alguns, seja mesmo falta de verbas para lançar novos álbuns, pois ideias nunca faltam já que compõem também para os outros artistas. O SA dá continuidade à lista que publicou em edição anterior sobre os músicos «desaparecidos» dos olhos do público. Entretanto, queremos dizer que, por enquanto, ficamos por aqui embora exista mais artistas que deviam fazer parte desta selecção, mas por não conseguirmos informações sobre eles alistamos apenas estes.

Romão Brandão  

19 - Irmãos Kafala - «renunciaram» a música?

 

Em 2004, os «Kafala» lançaram a obra mais ouvida da sua carreira, intitulada «Bálsamo». Temas como «Luanda», «Ofeka Yetu», «Crucifixo», «Renúncia Impossível» - extraída da obra do Primeiro Presidente de Angola, António Agostinho Neto, «Kalumba», «Dialogando» e «Minga», são alguns dos títulos que fazem parte da mesma e que até os dias de hoje são postas como música de fundo principalmente nas galas, workshops, exposições ou lançamento de livros.

O trabalho dos «Kafala» caracteriza-se, como tem sido hábito, por uma simplicidade subtil que associa ritmos modernos a aspectos da tradição, transportando temas acompanhados por guitarras que dão mais vida às canções, interpretadas em línguas como kimbundu, umbundu, tchokwé e português.

Moisés e José Kafala começaram a cantar juntos e em 1978, separaram-se para cumprir o serviço militar. Em 1987 voltaram a juntar-se, gravando um ano depois, na Inglaterra, o álbum «Ngola». Apresentam ao público em 1995 a obra «Salipo», que deixou um grande interregno até a produção desta última. Renunciaram eles a música ou «atingiram o zero»? É isto que os fãs precisam saber já que os dois encontram-se desaparecidos dos palcos e sem novas publicações, embora as músicas do disco «bálsamo» sejam lembradas até agora.

 

20 - Rey Webba – a «Kamanga» (não) lhe deu fortuna?

Agora tido como produtor musical, Rey Webba, o autor da música «Kamanga» - a pedra que dá fortuna – não é visto há muitos anos em palco. Parece que ele já não quer cantar, pois da «Kamanga» não surgiram mais sucessos seus. Ficou preso na promoção de shows, já que em 2004, numa entrevista, manifestou pouco interesse em participar de espectáculos, porque pretende perseguir somente a produção de CD. «Estou apertado e não penso em espectáculos», dissera.

Também encontra-se pouca informação sobre o Rey Webba, mas sabemos que no ano de 2009 ainda era director técnico da editora LS Produções. Nos anos de 2000, a sua música «Matondorinha» fez sucesso nas discotecas desta cidade e não só. O «garimpeiro» - tal como disse na música – deve estar tão afortunado que já não tem voz para cantar.

21 - Neide Van-Dúnem - «Olá Baby»

Foi a primeira artista angolana a pôr o seu single, «Teu Marido Casou/Esta Noite» (2009), à venda a partir da internet, através das lojas virtuais DigStation, iTunes, Napster, Amazon e CD Baby. Neide Núria de Sousa Van--Dúnem Vieira, ou simplesmente Neide Van-Dúnem, teve a sua entrada efectiva para o mundo da música só em 2006, quando tinha 20 anos, no projecto «Eu e Elas», de Caló Pascoal, com a música «Olá Baby» - este foi o pontapé de saída para o seu grande sonho.

Apesar de ser conhecida também como actriz, o sonho de cantar sempre falou mais alto, uma vez que numa entrevista afirmou convictamente que é como cantora que se quer firmar. Embora tenha colaborado no projecto Fusão da DJ Nation com a música «Sexta-Feira», em 2008, Neide não tem sido vista nem nos palcos, nem na praça da independência e nem na televisão.

«Até hoje (2009) o evento que mais me marcou foi a edição de 2007 do «Top dos Mais Queridos» onde pela primeira vez me apresentei em palco, sozinha. Nunca imaginei chegar a este patamar com apenas uma música no mercado. Confesso que estava cheia de medo e que tremi bastante», disse ela, na altura.

A menina do «Olá Baby» deu um passo maior que a perna ou anda por aí explorando melhor a sua área de formação (Engenharia Informática), pondo de parte os talentos que tem para música e teatro.

22 - Carlos Baptista - «Enquanto espera» o tempo passa

Foi visto pela última vez em 2007, quando afirmara numa entrevista que estava de «corpo e alma» ligado ao mundo da música, apesar de faltar recursos financeiros para gravar uma nova obra discográfica que permitiriam relançar a sua carreira. Carlos Baptista afirmou que a sua estagnação temporária na arena musical nacional deve-se ao facto da inexistência de verba.

O autor do «Imaginação» disse que contactou várias editoras, mas estas não compensam os esforços da produção de um álbum, pois apresentam condições ou contrapartidas muito baixas. Apesar das dificuldades, acreditava que dias melhores viriam e o público teria a oportunidade de voltar a ouvir novamente temas da sua autoria em diversos géneros e estilos.

Autor também do tema «Enquanto espero», música que fez sucesso no mercado nacional na década 80, classificando-se em segundo lugar no «Top dos mais queridos», é dos poucos músicos que por mais que tenha passado muito tempo, ainda continua a explorar o talento que tem mesmo sem ter garantido os valores financeiros.

No quadro do fundo de apoio às actividades artísticas do Ministério da Cultura, Carlos Baptista afirmou, na altura, ter enviado dois projectos para a produção de uma obra discográfica (2002 e 2004), mas lamentavelmente não obteve resposta da parte da Direcção Nacional de Acção Cultural nem do pelouro de tutela.

Surgido na arena musical nacional na década de 70, no concurso de música e canto da ex-secretaria de Estado da Cultura, Carlos Baptista havia sido distinguido o prémio de «melhor composição», com o tema «O tempo aliado da razão». Com a sua ascensão criativa e artística, colocou no mercado 2 discos em vinil, designadamente «Esboço-1986» e «A promessa-1992.

 

23 - Magnésio - «Tchiriri»

O Kuduro mais tocado e dançado na diáspora, sem exagero, é o «Tchiriri» do jovem Magnésio. Até os dias de hoje esta música ainda serve para animar as festas, mas o músico provavelmente é difícil ser contactado para que cante ao vivo esta composição. Ele está tão desaparecido que as pessoas também não se lembram do seu rosto e a nossa equipa de redacção não conseguiu sequer uma fotografia sua na internet para ilustrar este artigo.

Esta estrela do Marçal, integrante do grupo «Caixa baixa», foi visto pela última vez em palco nas festividades da cidade do Sumbe, no ano de 2005, interpretando a sua música (Tchiriri) que «veio para ficar» - tal como enfatiza nas suas estrofes – além do seu sucesso «Bate no peito».  


Magnésio faz parte do 3º período, também considerado como fase «Crise e Viragem» do kuduro - é o mais polémico da história deste estilo, que vai mais ou menos de 2002 até os tempos actuais. «Crise e Viragem» por ter vivido exactamente um momento de crise e ter resistido a ele, e por conseguinte ter imposto uma nova dinâmica ao género musical, pelo que considera-se ter havido uma viragem muito bem conseguida.

24 - As Gingas do Maculusso – «encostaram na parede»?

Ou «molharam a fuba»? Talvez. Este grupo não está completamente desaparecido do palco, mas consta nesta lista porque não tem composições novas há 4 anos. Alguém encostou as «filhas de África» na parede ao ponto de ficarem «sem ideias» para cantar? Não sabemos.

Dissemos no princípio que, as meninas do Maculusso, não estão completamente desaparecidas do palco porque em 2012 realizou-se um espectáculo alusivo os 30 anos de carreira do grupo e ainda no corrente ano, no mês de Abril, foram convidadas a cantar na «Gala da Paz», onde interpretaram os temas «Angola em Paz» e «Fuba». O certo é que o conjunto do «Mbanza Luanda» está há muito tempo sem trazer inovação em termos de música quando é chamado a cantar. «Uafu kiá»?.

Uma das integrantes (agora 4) do grupo, Gersy Pegado, lançou em 2010 uma obra literária, a sua primeira, intitulada «As Gingas na Minha Retina». Naquele livro encontram-se questões ligadas à teorização da arte, as contradições do mercado musical angolano, a qualidade das canções que são colocadas no mercado e a luta para afirmação do referido grupo a nível nacional e internacional.

O grupo, que começou o seu percurso em 1983 num dos programas infantis da Rádio Nacional de Angola sob o comando da jornalista Amélia Mendes, tem quatro discos publicados: «Mbanza Luanda», «Malanje-Natureza e Ritmos», «Xiyami», «Muenhu» e «Luachimo» (2008).

25 - Paulino Pinheiro - «Helena Rebita»

Este também só é visto nos «Caldos do poeira» ou no «Mussongué da tradição», muitas vezes como assistente e poucas como convidado a subir no palco. As últimas notícias que temos de Paulino Pinheiro, sobre publicação, é que em 2004 o músico estava a gravar, no país, o seu quinto disco com o título «Graças a Deus».

O autor de um dos grandes sucessos dos anos 70, «Helena Rebita», teria a obra discográfica a ser gravada no estúdio da Empresa Nacional do Disco e Publicações (Endipu). O título «Graças a Deus», segundo o que ele dissera, simboliza um «velho» sonho: gravar um disco numa Angola independente. Mas até agora não temos notícia se o mesmo conseguiu realizar este sonho. Também, se tivesse mesmo conseguido os meios de comunicação teriam noticiado.

Com 52 anos de idade, 36 dos quais de carreira musical, Paulino Dombele Pinheiro, em 1966 fundou o seu primeiro grupo, denominado «Os jovens da Maianga». No ano a seguir trocou o Catambor pelo Rangel, onde fundou o seu segundo grupo, «Impérios Negros», do qual faziam parte figuras conhecidas como Nando Figueira, Man Quintas, Zé-Topa e João Leite.

Em 1968, fundou «Os Águias reais». O seu primeiro disco foi lançado em 1971, enquanto o segundo, terceiro e quarto foram todos editados no mesmo ano, em 1972.

26-

Prado Paím – «Bartolomeu» está esquecido


 

Foi visto pela última vez, em 2011, clamando, numa entrevista, por apoios financeiros da parte de empresários e da Direcção Provincial da Cultura do Bengo, para a gravação da sua obra discográfica. O cantor queixava-se da falta de tudo: desde apoios à realização de concertos e galas adequados à sua vertente artística.

 

O cantor encontra-se parado há 39 anos. A sua vida artística vem regredindo aos poucos por motivos de saúde, por um lado, e por falta de incentivos, por outro. De todas as suas músicas antigas que fizeram dele um artista de sucesso, deixando a sua marca nas décadas de 70 e 80, a que é mais lembrada é a composição «Bartolomeu» (semba em homenagem ao seu amigo assassinado no Sambizanga por acudir uma jovem que fora violada).

«Certos promotores de espectáculos ou patrocinadores pensam que os que fizeram música no passado já não servem e os que estão a surgir são as melhores apostas. Admiro, por que não me incluem nas actividades, sou sempre esquecido», lamentou.

Prado Paim, com 67 anos, foi o primeiro músico angolano a conquistar um disco de ouro, em 1974, marcando o momento mais alto da sua carreira, com a venda de 15 mil cópias. Consta do seu reportório alguns temas como «Juliana», «Kusambela Nzambi», «Engrácia», «Nzenza» e «Bartolomeu».

27 - Beto Cruz – «Mulheres de Angola»

Não conseguimos encontrar notícias actualizadas sobre o artista Beto Cruz, se tem novos trabalhos ou o que deve estar a fazer, não sabemos. Sua biografia, na rede social «Myspace», foi a única coisa que encontramos. O autor da música «Frutas de Angola» - que homenageia a «doçura» que são as mulheres angolanas – está mais do que desaparecido.

 

Beto Cruz, a partir de 1987, é convidado pelos seus 2 irmãos a fazer parte, pela primeira vez, como vocalista na banda «Iarassá» (baptizada por Bonga). Em 1992 e 1993 grava os álbuns «Angola 92» e «Kizomba de ouro». Em 1994, já a solo, edita o seu maior sucesso de sempre intitulado «Frutas de Angola», que o levou a realizar espectáculos no estrangeiro.

 

Em 1995 lança «Fruta proibida». Em 2005, em colaboração com o seu irmão Toni Amaro, produtor musical e compositor, lança o álbum «Meninos de Deus». Em 2009, segundo o que consta no seu perfil da «Myspace», Beto Cruz estava a se preparar para entrar em estúdio e reeditar o seu primeiro «Best off». Não se sabe ao certo o que aconteceu, tanto com o disco quanto com o «menino das frutas». Andam desaparecidos!

28 - Tony Nguxi – «Kazeze»


António José Augusto, ou simplesmente Tony Nguxi, por mais que algumas pessoas venham a discordar, apenas encontra-se desaparecido do palco, mas tem publicações recentíssimas – músicas frescas –, fez o lançamento da sua quinta obra discográfica intitulada «Space of Love». Talvez não tenha feito muito sucesso, pois o artista não tem sido convidado nas grandes festividades da sua região.

Pode se dar o caso do mesmo ser esquecido por estar mais tempo na África do Sul, já que reside lá, o que está a causar algum mau estar e inquietação por parte daqueles que gostam de o ver cantando nas línguas cokwe, umbundo, quimbundo, nganguela, zulo, inglês e francês, além do português.

Tony Nguxi iniciou a carreira artística em 1989. Lançou o seu primeiro álbum nos estúdios da RNA, em Luanda, intitulado «Muandji» em 1990; o segundo em 1992, intitulado «Taizeno», «AkwaAfrica» (1998), «Kazeze» (2000), Mahamba (2006) e «Space of Love»(2012).

 

29 - Clélia Sambo - «Vamos Dançar» (só se você cantar!)


Em princípios de 2005 a cantora angolana, Clélia Sambo, estava a preparar o seu quarto trabalho discográfico. Uma obra que possivelmente não foi lançada ainda, pois seria noticiada nos meios de comunicação. Numa entrevista que concedeu, na altura, a cantora disse que era prematuro avançar datas para o lançamento do tal álbum, tanto é que nem sequer tinha título.

 

A moça é autora da composição «Terra do Semba», que ficou notabilizada no país pelas suas canções infantis, como «Menino do Moxico», «Beatriz atrevida», «Crianças saúdam a paz», dentre outras que fizeram imenso sucesso na década de 90.

Iniciou a sua carreira artística, em 1991, no top «Estrelinhas da Canção», da Rádio Nacional de Angola. Clélia Sambo publicou até aqui três discos, designadamente «Crianças saúdam a paz», aos 12 anos, «Vamos dançar», com 14, e o mais recente intitulado «Terra do semba». Os seus fãs querem dançar, mas faz tempo que a Clélia não canta!

30 - Puto Agressivo – «Mandou lixar todos» os fãs

Este artista é citado 2 vezes no sucesso «Tchiriri» de Magnésio, mas não foi por intermédio desta música que ganhou fama e sim pelo «Ai ndonboló» e «Manda lixar todas» - consideradas por muitos como suas duas melhores composições. O jovem kudurista, mais aplaudido do Cazenga, anda desaparecido dos palcos e da praça da independência. Alega-se que tenha feito a venda (não muita) de um single, no ano antepassado, no marco histórico «4 de Fevereiro», localizado no seu município, mas foi infeliz.

Este músico não tem sido sequer convidado nos grandes shows de kuduro ou no encontro que reúne esta classe, «I Love Kuduro», e segundo os mais próximos (vizinhos e amigos) ele «mandou lixar» os fãs, abandonando a música, pois encontra-se a exercer a função de Técnico de Frio no município mais populoso deste país. Procurou uma nova forma de subsistência.

31 - Yeyé - arrumou as «Imbambas»?


O músico angolano Osvaldo Fonseca, de nome artístico Yeyé, esteve ainda em 2011 a autografar, na Praça da Independência, o trabalho discográfico denominado «Imbambas», em língua nacional kimbundu, em português significa tralhas ou coisas. Na altura apelou aos promotores de espectáculo e entidades singulares que ajudassem os artistas nacionais a promoverem mais as suas músicas.

 

Embora tenha a participação de Bonga, Yuri da Cunha, Matias Damásio e dos irmãos Almeida, o disco compacto deste artista não teve tanto sucesso quanto o «Mar de Amor», tanto é que ele mesmo não tem sido convidado para os espectáculos - o seu desaparecimento está precisamente neste aspecto.

 

Yeyé começou a dar os primeiros passos como cantor na Rádio Nacional de Angola, como cantor infantil. O músico foi técnico e produtor da «Brigada Manguxi». Antes de «Imbambas», o artista gravou os álbuns «Vassoura de Oiro», em 1995, «Mano Zeca», 1996, «100% Love», 1997, «Mar de Amor Love», 1998, e «Tudo por Amor», 2000.

 

32 - Alcas Fernandes - «Mulher do mato»


Em 2011 o nosso jornal publicou uma matéria na qual Alcas Fernandes e a sua produtora estavam a ser acusados de burla por um músico principiante. Na altura, foi contactado e acabou por desmentir. Fora isto, em 2008 este músico afirmou que iria publicar o seu terceiro disco a solo, cinco anos depois da saída de «Certeza». Até agora, nada!

 

O produtor e dono da Woffer Áudio está mais preocupado em lançar os outros artistas do que tratar das suas publicações ou alegrar os seus fãs. Embora tenha dito que tem todas as condições preparadas para voltar a (en)cantar, pois produziu um álbum de qualidade, não é o que parece. O autor do sucesso «Mulher do mato» se perdeu no «mato» produzindo os outros colegas.

 

O seu primeiro trabalho teve como título «Desejo Ideal», foi editado pela Empresa Nacional do Disco e Publicações (Endipu), enquanto o segundo «Certeza» saiu com o timbre da Ngola Música, com quem o músico ainda tem contrato de trabalho.

 

33 - Dona Kelly - «Salve-se quem puder»

Em 2006, o produtor e esposo de Dona Kelly, Phathar Mak, anunciara que a pioneira do rap feminino em Angola lançaria o seu primeiro álbum, intitulado «Salva-se quem puder». Em finais de 2007 noticiou-se novamente isto e acrescentava que estavam a ultimar as questões administrativas para ver materializado esse sonho.

Só que infelizmente não ouvimos nem lemos notícias de que o disco foi realmente lançado, por um lado. Por outro lado, a Dona Kelly anda mesmo é desaparecida dos palcos, há muito que os seus fãs não a vejam cantar, só para não dizer que apenas se lembram de uma música dela – aquela que pôs a sua carreira no auge - «Alta Keta».

«As pessoas já chateiam há muito tempo. Pedem o disco dela, porque ela é um símbolo do hip-hop feminino nacional. Há aquele desejo das pessoas terem o trabalho da cantora, para depois analisarem o seu valor», apontou o produtor. Dona Kelly começou a interpretar rap a partir de 1997.

34 - Bela Chicola - «desiludida»?

Supostamente, em 2012, depois de muitos anos ausente, teríamos em mão o novo álbum de Bela Chicola, como se noticiava, mas não aconteceu. A cantora fez tantas aparições falando à imprensa que faltava pouco, criou esperança aos seus admiradores e acabou desiludindo-lhes. Ela frisou, na altura, que o trabalho tinha predominância dos estilos semba, Zouk, Sungura, Rebita, Kizomba e Rumba.

Natural da província do Bié, a artista expressa fundamentalmente os seus sentimentos em língua portuguesa e umbundo e tem no mercado o seu primeiro álbum discográfico lançado em 2004, com o título «Pilima Yangue». Bela Chicola foi a vencedora do Primeiro Festival Provincial de Vozes Femininas realizado em 2003 no Bié. Na sua terra, no ano de 2010 a kizomba «Desilusão», de sua autoria, foi muito ouvida e por isso o público continua a espera do seu novo trabalho. Estará ela desiludida com o mercado da música?


35 - Erika Nelumba - «Diz porquê» não canta mais?  

Em 2008 a cantora angolana Erika Nelumba concretizou um sonho que era a publicação do segundo álbum a solo, intitulado «Agora Sim». Ela julgava-se mais madura e segura do ponto de vista vocal e previa efectuar, depois da publicação, uma digressão por algumas províncias e no exterior.

A autora de «Filha de Deus» e «Diz... Porquê» estrelou com o álbum «Pensando em Ti», publicado em 2002. Formada em medicina, pela Universidade Jean Piaget, Erika Nelumba ganhou o prémio de voz revelação num dos tops musicais de referência em Luanda.

 
Aos 19 anos, participou e venceu o concurso musical «Voz do Ano», organizado pelo karaoke no cine Karl Marx, tendo se revelado nas categorias de «Voz da semana» e «Voz do mês». Chegou à fase final como uma das candidatas favoritas, mas não venceu a competição, tendo ficado apenas com o prémio surpresa. Diz-se que Erika está ausente dos palcos e da praça da independência porque agora dedica a vida exclusivamente à medicina.
 


 

 

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