quinta-feira, 27 de junho de 2013

Musicos desaparecidos do palco I


 


Onde andam os nossos «sucessos»?

Músicos desaparecidos em palco (I)
Por falta de ideias para fazerem novas composições, falta de patrocínio para publicarem novos álbuns, por questões de saúde ou por um outro motivo, muitos dos músicos que outrora e, quiçá até mesmo nos dias de hoje, foram considerados sucesso acabaram por cair no esquecimento. Embora algumas das suas músicas ainda são frequentemente ouvidas, o certo é que não vemos novas publicações, para uns, e para outros desapareceram dos palcos. O SA traz aqui a primeira lista dos que estão a ser «procurados» no music-hall angolano, dado o grande contributo que muitos deles deram para a internacionalização da nossa música e não só.

 

Romão Brandão

1 - Nila Borja – «Bolinha no pé»

Danila dos Santos Burity Vaz de Borja, ou simplesmente Nila Borja, teve o último encontro, com os fãs no ano de 2008, no Cine Atlântico, com a apresentação do disco «Outra». Este CD, que surge no mercado 10 anos depois do seu primeiro trabalho «Muhato Ofele», trouxe de volta uma Nila mais madura e experiente, apesar do mesmo ter sido feito a pensar no público que a viu no «mundo dos pequeninos».


Apesar de ter contado com os préstimos de Paulo Flores, Heav C, Anselmo Ralph, três cantores conceituados do nosso mercado, o álbum não foi um sucesso como até hoje é a música «Bolinha no pé» para as nossas criancinhas. Talvez seja por isso que fez com que desaparecesse dos palcos.


Nila Borja fez parte da infância de muitas crianças angolanas. Começou a dar os primeiros passos da minha carreira em 1990, tendo como músicas sucesso: «Missangas Musicais» e «Bolinha no pé».


2 - Isidora Campos – acabou o «Sambapito»?

Ela ficou famosa com uma participação, no disco de estreia de Beto de Almeida, interpretando a canção «Sambapito». Iniciou a sua carreira numa altura bem-aventurada da música infanto-juvenil, participando em espectáculo musicais promovidos, na altura, pela Rádio Nacional de Angola e transmitido pelo Televisão Pública de Angola. «Mais amor Chissoka»(1999), «Tabu» e «Reflexos» são os três discos lançados por Isidora.

A doce kizomba «Sambapito» ainda toca nos convívios dos dias de hoje e a Isidora Campos faz tempo que não apresenta novos trabalhos aos seus fãs. «Sambapito» também acaba, e quando isto acontece a boca fica amarga, entretanto, a jovem cantora deve saber disto, pois qualquer dia deixa de ser ouvida e cai no esquecimento.

Numa entrevista, a cantora mencionou que os artistas que não se afirmam no mercado, nem sempre se trata de má qualidade de sua parte, as vezes o problema está relacionado com os agentes e promotores musicais, que chamam cantores da sua conveniência, deixando de fora os melhores na óptica do povo.

3 - Pato – o mulato da «Mulata»

Alegadamente, em finais do ano de 2009 (depois de 7 anos de silêncio), o músico Pato reaparecera no mercado discográfico nacional com um novo trabalho, embora não se tenha certeza de que o disco foi mesmo lançado. O álbum de título «Mãe Negra» foi produzido pela Giva Music (produtora dos irmãos e músicos cabo-verdianos Gil e Vado Semedo).

O cantor que diz ter vendido, no seu primeiro disco intitulado «Angola e Cabo Verde em Mim», mais de 60 mil cópias, cujos benefícios eram totalmente da produtora, estrelou-se em 1989, também com participação dos irmãos Semedo, além da Dina Medina e Suzana Lubrano. Neste trabalho integravam algumas músicas como «Sofrimento de Criança», «Sely» e o grande sucesso «Mulata».

Dada a repercussão que teve aquele álbum, o menino do Huambo esteve em mais de 46 países cantando e levando, principalmente, o nome de Angola no coração. Já ganhou num dos shows na Holanda o prémio de melhor músico internacional, discos de platina, ouro e prata. Agora, o que poucos sabem é por onde anda o «mulato» e o porquê da sua ausência nos palcos.

4 - Bell do Samba – é «Katuta»

Bernardo Mateus Francisco ou simplesmente «Bell do Samba», também conhecido como o homem da «Katuta» - a sua música mais popular. Ausente dos palcos há 14 anos, em 2010 noticiou-se o lançamento do seu segundo álbum discográfico intitulado «Vocês gostam».

Segundo o mesmo, em declaração à imprensa, a sua ausência deveu-se sobretudo à falta de apoios para dar continuidade ao seu trabalho. “Andei ausente por duas questões: falta de verbas, por um lado, e, por outro, quem muito aparece aborrece. Apesar de tudo nunca parei e mesmo sem lançar o disco, tinha sempre espectáculos. Tinha convites para as discotecas, etc.”, explicou, na altura.

Evidentemente, passaram-se três anos desde que fez aquelas declarações que não é visto diante do público cantando e alegrando a multidão com os seus toques. O filho do Sambizanga acabou por lançar um álbum cujas músicas não são sequer tão ouvidas quanto a «Katuta» - que fazia parte do seu primeiro trabalho discográfico e até agora é sucesso inesquecível.

Bell começou a cantar com 15 anos, na escola Óscar Ribas, depois da formação do grupo infantil Oscarences, tendo passado posteriormente para conjunto «Os Anjos» e por último o agrupamento musical do Estado Maior do Exército designado «O Facho». Com a sua extinção, optou pela carreira a solo que vem desenvolvendo até ao momento.

5 - Mito Gaspar – «O que será?»

«Quem te viu e quem te vê», Mito Gaspar. «O que será» deste grande cantor e compositor das terras da Palanca Negra? Informações a que tivemos acesso dão conta que o músico tomou a decisão de abandonar a cidade capital e procurar outros meios de subsistência na sua terra natal. Actualmente, está a apostar no sector hoteleiro erguendo um projecto turístico em Cangandala, “a arte, de um modo geral, ainda não tem o cunho de valorização que merecia ter e que possibilitasse ter uma vida desafogada para sustentar a família”, disse numa entrevista.

6- Lito Dias – «Tem valor» a menos


Em 2006, depois de cinco anos da sua estreia no mercado nacional, foi noticiado que Lito Dias faria o lançamento do disco «Carente de Amor». Este artista considerou, na altura, que aquele álbum tinha diferenças acentuadas em relação ao primeiro, no que diz respeito as mensagens, acreditando inclusive no sucesso imediato de pelo menos seis, das oito músicas que continham. (Estava muito confiante!).


No mesmo ano (2006), Lito dias, também autor do álbum «Clamor de Rua», publicado em 2001, participou de uma digressão nas províncias da Lunda-Norte, Lunda Sul, Saurimo, Moxico, Malanje e Kuando Kubango, realizada pela produtora Woofer Audio – de Alcas Fernandes. Desde esta altura nunca mais ouvimos falar do autor da música «Tem valor»; por onde anda e com quem; se tem novas composições; desistiu ou a sua música «perdeu o valor».


7 -Sabino Henda  - «Embrião» deformado?

É do Bié, e foi no Bié, em 1980, no Programa Pió-pió que Sabino Henda começou a sua carreira musical. Mais tarde, juntou-se a mais alguns jovens e formaram o primeiro Grupo musical do Bié, chamado «Os Proletários». Depois mudaram o nome para «Os Ndundumas do Bié» e em 1982 o grupo se desfez. O seu primeiro trabalho discográfico foi lançado em 1998, com o título «Sobrevivo só».

Ao longo da sua carreira, Sabino Henda conquistou vários prémios: TOP dos Mais Queridos, em 2003, Variante e a Canção de Luanda em 2000, Nação Coragem no ano de 97, Direitos Humanos (1999), e TOP Rádio Luanda.

Sabino Henda já publicou quatros discos: «Sobrevivo Só», «Hami Olõ» (2000), «Poeira Velha» (2003) – de onde está incluído a música muito ouvida «Embrião» - e «De lá para Cá» (2007). O dono da música «Embrião» estará a ficar deformado, pois não nasceu ainda produtos novos do seu talento musical.

8 - Esmeralda – «Ndarissessa»

Estava previsto o lançamento de um novo álbum da artista Esmeralda Quissanga, no ano de 2009, neste caso a sua segunda obra, depois do disco «Mulher»(2008),– esta é a última informação actualizada sobre ela que também encontra-se desaparecida, tanto em palco, quanto no que concerne à novas publicações. Se tivesse lançado mesmo teria sido noticiado e se o álbum fosse sucesso seria ouvido.

 

A autora de «Não sou de Ferro», «Ndarissessa», «Mulher do Outro» e «Vem Amor», cujas letras realçam o papel e a importância da mulher na construção da sociedade angolana, teve o seu primeiro contacto directo com o público numa digressão realizada no ano de 2007.

Ela pediu licença para entrar nas nossas casas e nos alegrar com a sua linda voz, mas não voltou a pedir para se ausentar e já lá vão 4 anos.

 

9- Jacinto Tchipa -  « Maie-maie»


 

A última aparição de Jacinto Tchipa, no Parque da Independência, depois de mais de 20 anos fora dos palcos, foi no ano de 2009 quando o cantor procedeu a venda do CD «Sucessos», na altura o cantor prometeu não parar, pois pretendia, ainda no mesmo ano, lançar mais um disco com músicas inéditas. Embora tenha aparecido algumas vezes em shows que são realizados na sua região, não apresentou até agora novas composições.

«Beiral», «Emhâla», «Maie-maie», «África», «Ekumbi Lianda» e «Sissi Yola», são alguns dos seus sucessos conhecidos. Já venceu o Top dos Mais Queridos nas edições de 1988 e 1989. O músico que brilhou nos finais dos anos 80, levando a todo o país a mensagem de esperança numa Angola em paz, já que na altura a guerra se fazia sentir nesta parcela do continente africano.

Jacinto Tchipa ficou também com a missão de trabalhar com artistas que falavam a língua Nganguela e de outras regiões do país para poder mostrar outras facetas da cultura angolana. O que estará a fazer actualmente?

10 - Hélvio – está sofrendo «Muxima Uamiê»


Edilson Vasco Felício Vidal «Hélvio», foi visto pela última vez em 2004 quando procedera a venda promocional do seu primeiro trabalho discográfico intitulado «Muxima Uamiê». Alega-se que até os dias de hoje encontra-se «refugiado» em Portugal – não a fazer sucesso, pois se tivesse tomaríamos conhecimento.

Natural de Benguela, o cantor iniciou a sua carreira musical em 1995 com o estilo Hip-Hop e Rap e participou nos projectos Zouk Love Brasil, Elite, Pausa, Cacimbos e 100% angolano. Há esta altura o seu coração deve estar a sofrer dado o facto de que a terra de Camões não está a passar por momentos bons.

11 - Robertinho  - «Desesperado»


Robertinho só é visto apenas no «Musongué da Tradição», algumas vezes é convidado a cantar, noutras vezes vai assistir os colegas. Fernando Lucas da Silva, vulgo Robertinho, o Malanjino do Quéssua, caiu no esquecimento por não ter lançado, há anos, música ou álbum novo. Mas contudo, a sua música «Desespero» ainda desperta um certo interesse auditivo até mesmo na camada mais jovem da sociedade.

Possuidor de um timbre vocal referenciado pela crítica como promissor, Robertinho integra, em 1970, o conjunto «Ébanos»; em 1983 juntou-se ao conjunto «Diamantes Negros», com Santocas (voz), Betinho Feijó (guitarra ritmo) e Massikoka (teclas). O primeiro single de Robertinho, que inclui o tema «Saudades de voltar a Cuba», foi gravado em 1978. Em 1984, fica em segundo lugar no Top dos Mais Queridos e em 1991, vence o Prémio Welwitchia com a canção «Desespero».

12 - Zé do Pau - «Amor do pobre»


Em 2010, em companhia da Banda Chamavo, Zé do Pau foi visto a actuar no Centro Cultural Kilamba, pelo programa «Velhas glórias do Semba». Foi a última vez que José Farto Ferrão, vulgo «Zé do Pau», subiu ao palco para cantar. O pobre que também ama, não lança há muitos anos música nova e há quem diz inclusive que ele já não canta mais.

«Zé do Pau» iniciou a sua carreira artística em Luanda, em 1970, no extinto conjunto musical «Os Corvos», como guitarra-solo. Posteriormente, colaborou com o conjunto «Makokos do Ritmo», tendo participado dos trabalhos discográficos de Mila Melo e Tchinina. «Página Rasgada do Livro da Minha Vida», é o seu primeiro single que foi sucesso absoluto em 1976. Surgiram outros singles, nomeadamente «Apenas uma Lembrança» e «Na outra Dimensão da Vida».

Em 1999, gravou o seu primeiro «compac disc» com o título «Renascer». Na sequência das digressões que realizou pela Europa e América Latina, Zé do Pau, numa tentativa de internacionalização da sua obra, participa no concurso de música «Decouverte/2000» da Rádio France Internacional (RFI). O autor de «Mabaia» e «Amor do Pobre» foi o vencedor da 9ª edição do Festival de Música Popular Angolana, Variante 2001.

13 - Clara Monteiro – «Alô Benguela»



Nasceu em Luanda, no Bairro da Maianga, com um talento, intuição e propensão natural para as artes, tendências potenciadas por um ambiente familiar, equilibrado e artístico, em que as canções de embalar da mãe desempenharam um papel fundamental na formação do imaginário e da personalidade musical da cantora.


Em 86, Clara Monteiro deixa a orquestra 1º de Maio, decide enveredar por uma carreira a solo e grava, em 89, o primeiro álbum de originais, «Alô Benguela», com as canções «Esmola», «Kunene», «Ser ingénua», «Ovava», «Volta», e regrava o clássico «Zito monami».

Do disco, o tema “Alô Benguela” revelou-se um estrondoso sucesso, constituindo um dos temas paradigmáticos da cantora. Seguiram-se o álbum «Luta e amor»(1997), e «Walalipo Angola» (2005), o último com 12 faixas interpretadas, de forma alternada, em português, kimbundu e umbundu. Hoje também não se sabe o paradeiro de Clara Monteiro no que concerne a música.

14 - Fedy  - «Resultado injusto» para ele

Também é um produto da Woofer Áudio – parece que tem algo de errado com esta produtora, aliás o seu proprietário também faz parte da lista dos desaparecidos em palco do SA. A última vez que Fedy foi visto estava a autografar o disco «Resultado Justo», em 2008.

O álbum, sexto na discografia do autor, teve a participação de vários artistas, entre os quais Betinho Feijó, Jacinto Tchipa, Sabino Henda e a Banda Versáteis – também procurados. O autor do «namoro de brincadeira» anda fora dos palcos por muito tempo e a maioria dos fãs não sabe o porque.

15 - Djamila Delves  - «Sou mais Eu»

Djamila Delves já conquistou o seu espaço no music-hall angolano graças ao produtor Beto Max, no âmbito das «Melomanias», juntamente com Yola Araújo e Margareth do Rosário. Em Novembro de 2003, teve a oportunidade de lançar o seu primeiro álbum a solo intitulado «Sou mais Eu». O disco «Um brinde de Amor» é o segundo da sua carreira a solo.

Em 2009, esta cantora reeditou o álbum «Sou mais eu», já que as três mil cópias efectuadas numa primeira edição não foram suficientes para satisfazer a procura. Parece que o espaço que conquistou já desapareceu, uma vez que algumas pessoas nem sequer se lembram do seu rosto nem da sua música sucesso.

16 - Os Versáteis - «Casamento» por água a baixo

Após um longo período de ausência de lançamento de obras discográficas, devido a razões financeiras, a banda musical os Versáteis voltou, em 2006, com a apresentação do seu terceiro álbum, denominado «Da buala pra nguimbi».

Fizeram uma pesquisa e recolha daquilo que são os hábitos e costumes culturais da «buala» e levaram aos estúdios, onde com arranjos musicalizou-os ao ritmo dos sons modernos da kizomba, semba e rumba. A música «Mbaxi» é um dos exemplos desta adaptação. O grupo apareceu com uma nova estrutura organizativa, composta por nove elementos, introduziu a moda cabecinha, procurando não fugir muito ao seu antigo estilo, marcado precisamente pela versatilidade artística.

Deste grupo, as músicas «Casamento», «Mônica» e «Mbaxi» ainda tocam nos convívios, mas o conjunto anda ausente dos palcos por muito tempo. Da trajectória artística do agrupamento criado em Novembro de 1994 constam ainda, além do CD «Da buala pra nguimbi», os álbuns «Experimentando» e «Chegou a hora».

17 - Carlos Lamartine  -  «Caminhos longos» passos curtos


Carlos Lamartine foi visto pela última vez no Cine Atlântico, em 2007 , autografando o CD intitulado «Caminhos Longos». Gravado no Studio T, a obra tinha dez temas ritmados em semba, kilapanga e kizomba e contou com as participações de Caló Pascoal, João Alexandre, Quintino, Habana Maior, Miqueias, Mias, Yéye, Neto e Estevão Bento.

Dentre os temas, realce para «semba prenda», «ku maiombe», «Caty» e «maka do kaiaia». A caminho dos 57 anos, Lamartine foi um dos fundadores dos grupos «Os Kissuekeia» e «Macacos do Ritmo», tornando-se posteriormente vocalista dos «Águias Reais». O caminho da música é longo mas parece que este músico ficou preso nos passos curtos – não é visto em palco.

18 - Nany – «Merengue»

 

Em 2004 a cantora Ana Maria Branco «Nany», encontrava-se em estado delicado de saúde, chegando mesmo a ser internada e algumas figuras públicas criaram um «SOS Nany». Depois teve de ir fora do país para continuar o tratamento.

 

Em 2010 apareceu renovada e inclusive foi homenageada na quarta edição do concurso «Divas Angola», dado o seu contributo em prol do desenvolvimento da cultura, em particular da música angolana. Na altura, ela enfatizou que não está «esquecida» no ramo artístico, por parte das pessoas. (Não é o que parece!). Garantiu que poderá voltar aos palcos nos próximos tempos, mas até o momento os seus fãs não vêem isto.


Natural de Luanda, a cantora nascida a 08 de Agosto de 1963 é autora de temas como «Merengue da Nany», «Um Amor Assim», «Diala», «Ta Kieto», neste último fez um dueto com a artista cabo-verdiana Sheila. Tem três discos no mercado, entre os quais destaca-se o «Veio de Longe».

 



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