terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Cerca de 22 mil pessoas sofreram queimaduras em 2016 

Neste momento encontram-se 2.348 pacientes internados, no único hospital do país especializado em queimaduras, num universo de 21.531 pacientes atendidos, no presente ano. Os números tendem a subir, segundo especialistas. Luanda lidera a lista, enquanto 60% dos casos vitimam crianças menores de 14 anos



Dados avançados durante a Feira da Saúde, ontem terminada, por especialistas do Hospital Neves Bendinha, também conhecido como hospital dos queimados, dão conta de um aumento assustador do número de casos de queimaduras, principalmente na cidade capital angolana. As suas causas mais comuns prendem-se com líquidos super aquecidos, nomeadamente água quente, 58% dos casos, e óleo quente com 15 % dos casos, sendo estes com mais predominância em indivíduos do sexo masculino. A especialista em saúde pública, Domingas Alberto, enfermeira no referido hospitalar há mais
Neste momento encontram-se 2.348 pacientes internados, no único hospital do país especializado em queimaduras, num universo de 21.531 pacientes atendidos, no presente ano. Os números tendem a subir, segundo especialistas. Luanda lidera a lista, enquanto 60% dos casos vitimam crianças menores de 14 anos
casos de velas e carvão que é aceso com gasolina ou álcool”, frisou. Os casos graves de queimadura do segundo ao terceiro grau são comuns, de acordo a entrevistada, em que os pacientes ficam sujeitos a contrair a infecção por septicémia. Tudo têm feito para evitar que tal aconteça, pelo que há casos em que se registam resultados positivos, em consequência da medicação administrada. As causas mais comuns de queimadura são  água quente, 58% dos casos, e óleo quente com 15 %
Maioria dos casos são de Luanda Actualmente verificou-se uma redução de casos provenientes das outras províncias, porque alguns  médicos locais receberam formação e, por exemplo, as províncias do Huambo, Lunda-Norte e Kwanza-Sul, já não encaminham os seus pacientes a Luanda. Portanto, os números divulgados, senão a maior parte deles, referem-se a ocorrências que se deram na cidade capital. “Os números tendem a crescer e há registos cada vez mais tristes”. Já que às vezes são todos os membros da família, pai, mãe e filhos queimados. “É muito triste perder três, quatro filhos e/ou marido. Devemos sensibilizar cada vez mais as pessoas”, sublinhou. As mães devem evitar que as crianças fiquem próximas ao local de confecção dos alimentos, uma
vez que as crianças são curiosas, por isso é importante também usar protectores nas tomadas; ter os produtos inflamáveis  fora do alcance das crianças, bem como os cabos das panelas. “Desligar a botija sempre que se vai dormir, trocar o uso das velas pelo de lanternas”, são outros conselhos de Domingas Alberto. Também advoga que as pessoas que sofreram algum tipo de queimadura devem ter acompanhamento psicológico, por causa das sequelas. “Nós temos  uma criança que ficou sem os dois membros porque a mãe descuidou-se, deixando a vela em cima da cama. Dentro da unidade fazemos o acompanhamento, e depois de sair é importante que se continue a acompanhá-la psicologicamente. A nossa sociedade ainda não está educada para lidar com estes tipos de casos”, rematou.

22.Dez.2016


http://opais.co.ao/cerca-de-22-mil-pessoas-sofreram-queimaduras-em-2016/

domingo, 4 de dezembro de 2016

Angola só tem três máquinas de radioterapia
Em média, o Instituto Angolano de Controlo de Cancro recebe 18 doentes por mês que precisam receber tratamento de radioterapia, um número que tende a crescer. Das 13 máquinas para este tipo de tratamento que o nosso país devia ter, existem três e apenas uma está no referido instituto.
Há sensivelmente três anos que o Instituto Angolano de Controlo do Cancro (IACC) realiza tratamentos de radioterapia, apesar das dificuldades que têm encarado, uma vez que a demanda é demais para tão poucos recursos materiais e humano.
O tratamento por radioterapia que há muito tempo tem levado muitos dos pacientes que sofrem de algum tipo de cancro para fora do país, apesar de já ser possível em Angola, existe apenas em duas instituição, no IACC e na Clínica Girassol. Profissionais da área lamentam o facto de, em todo o país, existirem apenas três máquinas de radioterapia, das quais duas estão na Clínica Girassol e uma no único Instituto Angolano de Controlo do Cancro.
Esta problemática também está a ser abordada na Conferência Internacional sobre o Cancro que termina hoje, em Luanda, promovida pela Fundação Eduardo dos Santos (FESA). Desde Setembro de 2012, altura em que o referido instituto começou o tratamento com radioterapia, foram tratados, até à presente data, um total de 857 pacientes (18/mês).
Deste número, 77% dos doentes pertencem ao género feminino, com maior incidência para o cancro do colo do útero, e 23% ao género masculino, segundo Euclides Bango, médico especialista do IACC. Acontece que a maior parte dos doentes chega ao IACC já em estado muito avançado da doença, facto que dificulta o tratamento. Em função dos registos elevados de doentes de cancro no nosso país, a Organização mundial da Saúde (OMS) recomenda que tenhamos, no mínimo, 13 máquinas para a radioterapia.
O medo da radiação
A radioterapia contribui significativamente para o controlo local da doença, pelo que o tratamento tem melhorado a condição de vida de muitos cidadãos, mas ainda há muita gente que teme o tratamento. “O tratamento é no local específico em que se encontra o tumor. É claro que a radiação provoca sequelas, mas as pessoas não precisam de ter medo. As reacções adversas da radioterapia são controladas, uma vez que os médicos que acompanham o doente receitam medicamentos para tal”, defendeu Euclides Bango.
A falta de informação tem afastado muitos doentes de receberem tratamento no IACC. O instituto tem envidado esforços para a sensibilização, de modo a aumentar o número de doentes assistidos e desta forma diminuir o tempo de espera que existe para que o doente possa receber o tratamento. “Temos uma máquina, mais profissionais estão em formação e a se tornarem autónomos, vamos aumentar os turnos e esperamos aumentar a assistência aos doentes.
Um dos desafios que o instituto tem é o término das obras do novo búnquer para que sejam instalados os aceleradores que permitirão aumentar o número de assistidos”, exorta. O mesmo instituto espera o licenciamento do aparelho de braquiterapia de alta taxa, onde se aproveitam os orifícios naturais do organismo para o tratamento de radiação que é feito particularmente aos doentes com cancro do útero.
Mais informação precisa-se
Para o especialista em medicina nuclear, Silva da Cruz, da Clínica Girassol, as pessoas deviam estar mais informadas, ao invés de chegarem à conclusão de que o referido tratamento dói. É um processo, o paciente é avaliado, é delimitada a área que vai receber o tratamento e são quantificado os grays (energia de radiação ionizante) para o tratamento do cancro. Reconhece que durante o tratamento existirão alguns tecidos que serão afectados, daí o aparecimento de efeitos secundários, dependendo da dose, como a escamação, pele ressecada, mas é importante que o paciente analise os custos e os benefícios.
Para este caso os benefícios pesam mais. “Sou físico e na produção radiológica existem três princípios, dentre os quais a optimização, limitação de dose e a justificação, que têm sido aplicados. Bem como os princípios básicos, a maximização da distância com a fonte emissora de radiação (para o caso do médico), diminuição do tempo de exposição e a implementação da blindagem. Se observados, os resultados são satisfatório”, transmitiu.

26, AGO, 2016
Luanda enterrou mais de 500 pessoas só no Sábado
Mais de 1100 pessoas foram a enterrar nos cemitérios da Mulemba e do Camana, na semana passada. Só no último Sábado foram a enterrar no Camama 62 crianças, na Mulemba outras 54 e no Benfica 19.
Apenas alguns números de uma ‘semana funesta’ onde tudo parece funcionar em cadeia, a começar pelo caos em que mergulharam os hospitais e as morgues. Números que podem não reflectir a realidade, porquanto são apenas de alguns cemitérios oficiais. A eles se juntam os números “oficiosos” dos cemitérios clandestinos.
Mais de 500 pessoas foram a enterrar no cemitério do 14
O também conhecido por cemitério da Mulemba, localizado no município de Cacuaco, está neste momento a registar, segundo o responsável, muita demanda. Só na semana passada, pelo menos 500 pessoas foram enterradas, de segunda a Sábado.
Por força da demanda, os coveiros são orientados a trabalhar a dobrar, mas, para amenizar a situação, o responsável do cemitério da Mulemba ‘14’, Pedro Garcia, teve que “buscar” mais 9 coveiros de outros cemitérios cujo fluxo é relativamente mais baixo. Reconhece que nos últimos tempos o número de mortes subiu e que têm trabalhado muito. “Não temos folga, trabalhamos de 1 à 31 de cada mês. Tive de pedir mais coveiros, porque os meus têm estado muito cansados.
Só para ter noção, de Segunda (dia 14) a Sábado (19) tivemos um total de 533 enterros, sendo 229 de crianças e 304 de adultos”, informou. À nossa chegada, fomos informados por um dos coveiros de que “o dia seria duro”, pelo número de funerais a realizar. O cemitério abriu as portas às 8:00h e os primeiros sete enterros foram de crianças que aparentavam ter cinco anos, tendo o quadro mudado apenas às 9h59, período em que começaram a enterrar adultos. O número crescia num brevíssimo espaço de tempo e até às 10h5 pelo menos 11 crianças e 7 adultos haviam sido enterrados. Até ao encerramento dos portões do cemitério, concretamente às 15h30, um total de 54 crianças e 50 adultos, haviam sido sepultadas.
Cemitério do Camama registou mais de 600 funerais na semana passada
Só no Sábado foram enterrados 62 crianças e mais de 50 adultos. Na última semana, o cemitério do Camama registou uma média de 100 funerais/dia segundo o administrador deste ‘Campo Santo’, Gerónimo Chilunda. Os números subiram nos últimos dias, segundo o responsável, que aponta o quadro de saúde que se vive em Luanda como o principal causador de tantos óbitos. Só no Sábado foram enterrados 62 crianças e 56 adultos, perfazendo 118 no total.
OPAÍS fez essa contagem a dedo, Sábado, durante cerca de 4h neste cemitério, um dos mais antigos da periferia. A jornada começou às 9h37 e passada cerca de hora e meia, ou seja, às 11h10 estavam sepultados já 40 crianças e 22 adultos. Enquanto os olhos permaneciam atentos, as viaturas transportavam urnas e os ouvidos captavam as tristes histórias contadas pelos familiares sobre a forma como os seus entes queridos se foram.
“Isso é porque abriu o cemitério do Benfica, porque senão vocês podiam pensar que é azar”, disse um funcionário que acompanhava atentamente a nossa contagem.
Cemitério municipal de Viana com mais de cem enterros diários
O cemitério municipal de Viana regista, desde o mês de Fevereiro, um elevado número de enterros que está a preocupar os funcionários daquele espaço santo localizado no bairro da Sanzala. Actualmente, naquele local são realizados mais de 100 funerais,  contra os 60 efetuados antigamente.
Porém, as crianças, dos 0 aos 14 anos, representam o maior número de casos com mais de setenta por dia. Contactada por OPAÍS, a direcção daquele espaço santo mostrou-se indisponível a prestar quaisquer declarações. Já uma fonte da referida instituição fez saber que, devido ao elevado número de cadáveres aí sepultados, o cemitério está a correr sérios riscos de ficar sem espaço. “Já existe um projecto de requalificação do cemitério municipal de Viana que foi anunciado em Janeiro pela Direcção Provincial dos Serviços de Cemitérios, Morgues e Velórios de Luanda.
As obras ainda não tiveram início, devido à situação de crise que o país enfrenta. Mas em função da demanda penso que esse processo terá de ser acelerado porque estamos a receber muitos cadáveres”, explicou. “É um período bastante difícil, mas não nos resta outra alternativa senão atender à procura” finalizou a nossa fonte.
Suposta visita do governador de Luanda promove limpeza no cemitério do Benfica
Os funcionários estavam receosos de que o governador de Luanda, Higino Carneiro, ao visitar o cemitério, se apercebesse que no referido dia as torneiras estavam “secas”. As informações segundo as quais o governador da Província de Luanda, Higino Carneiro, neste Sábado, 18, realizaria uma visita de constatação ao Cemitério do Benfica, em Luanda, gerou preocupação entre os funcionários da instituição, que com auxílio de grupos religiosos, apetrecharam o local, tal como apurou OPAÍS.
Às 8 horas e 27 minutos, momento em que teve início a nossa reportagem, ficou evidente a “correria” entre os funcionários da instituição que tinham as tarefas muito bem estruturadas. Uns faziam a recepção das urnas e orientavam os familiares, outros carregavam baldes de tinta para as árvores, enquanto outros ainda acarretavam bidões de água (20 litros), e os demais executavam tarefas de rotina. Um cidadão que se fazia acompanhar por familiares desde às primeiras horas do dia e presenciava o momento em que a campa do seu ente-querido era feita, disse ao funcionário: “é melhor resolverem também a questão das casas de banho que não têm água. Aquele kota então exonera feio”.
Minutos depois, presenciamos a chegada de fiéis da Igreja Messiânica que plantavam árvores, procediam à remoção de capim nas campas e distribuíam flores enquanto o grupo juvenil da Igreja Universal do Reino de Deus varria. De realçar que a limpeza não condicionou os mais de 60 funerais realizados no dia, os quais estavam acima de 45 de adultos e de 15 de crianças, portanto, até às 13 horas.
Após quatro horas de espera não presenciamos a suposta visita do governador da Província de Luanda, Higino Carneiro, pelo que questionámos um funcionário da instituição, no caso, o “senhor Ventura”, tendo- nos revelado que a visita estava programada de facto, mas, por motivos que também desconhecia, fora desmarcada. “A visita já não será feita hoje, ficou marcada para um outro dia, mas não sei quando será”, rematou.
Entre a dor e o desrespeito
Durante a nossa reportagem, viam-se cidadãos consumindo bebidas alcoólicas no próprio cemitério, e outros ainda que zombavam da forma como determinadas pessoas choravam pelos seus entes queridos. “Estou avisar, não quero aqui nada de aiuê, aiuê”, dizia um jovem à sua irmã.
Mais informação encontre no jornal imprenso já nas bancas!

Março, 22, 2016

114 AMBULÂNCIAS NOVAS DEGRADAM-SE NA CECOMA
Uma centena de ambulâncias novas estão estacionadas no quintal do CECOMA, sem serem usadas, enquanto uma ronda de OPAÍS mostra a carência destes meios de transporte em algumas unidades hospitalares.
À entrada do quintalão da Angomédica, junto à Central de Medicamentos de Angola, chama logo a atenção a quantidade de ambulâncias novas, ainda sem matrículas, estacionadas. Dado o extenso tempo de estadia que têm no local, estão sujas e o capim já as vai envolvendo. Segundo um funcionário da instituição, as ambulâncias são “uma remessa do antigo ministro da Saúde, José Van-Dúnem, e foram cair de parqueadas no quintalão em 2012”.
Interrogado sobre as razões daquela “estadia”, o interlocutor disse também desconhecer, pois “as viaturas estão boas”, lamentando, porque é de opinião que “as viaturas deviam estar nos hospitais”, já que foram compradas para este fim. “Deve ser um negócio dele (do ministro). Aqui acontecem coisas que você nem sequer imagina”, disse ele, não se apercebendo de que estava a falar com uma equipa de jornalistas. “Tem um parque, em Viana, ao lado da administração, que tem mais carros desses, inclusive da marca IVECO.
Pelo dilatado de tempo que estão paradas, as baterias descarregaram, e isso envolverá mais gastos ao Ministério na compra de novas baterias”, acrescentou. A nossa fonte estimou um total de 132 viaturas estacionadas no quintal, de marca Toyota, também famosamente conhecidas por “18 províncias”, que há muito tempo apanham poeira, chuva e servem de esconderijo aos gatos, porque não estão a ser usadas. Numa ronda feita às unidades sanitárias da cidade capital conseguimos apurar a necessidade de se renovar o parque de ambulâncias nalguns hospitais e, noutros simplesmente não há ambulâncias.
No Hospital Américo Boavida, por exemplo, apenas uma ambulância funciona, com algumas dificuldades, dada a sua antiguidade, sendo que uma outra está avariada. No Centro Médico do Zango I a ambulância está avariada há muito tempo. Enquanto isso, no centro médico dos Ramiros, município de Belas, a ambulância também está avariada e torna-se difícil aos pacientes saírem da localidade até a um hospital especializado, por exemplo, visando um rápido atendimento para os casos que não encontrem resposta imediata ao seu problema na localidade.
São também obrigados a carregar os doentes ao colo ou às costas aqueles que acorrem ao Hospital Geral do Huambo, porque as três ambulâncias daquela unidade sanitária estão avariadas, segundo constatação feita pela reportagem de OPAÍS.
‘Há que se ter em conta o custo da manutenção’
O porta-voz do Ministério da Saúde, Carlos Alberto, diz as ambulâncias não estão a ser utilizadas por falta de um plano de distribuição, pelo que não sabe quando é que serão distribuídas. “A questão não é só distribuir as ambulâncias, deve-se ter em conta, também, os custos de manutenção das mesmas. Se vir, nas unidades por que passou, tem pelo menos uma ambulância avariada.
Há hospitais em que a ambulância não cumpriu o tempo estabelecido de uso, então vamos dar também a quem nunca teve uma”, disse. As ambulâncias não estão ainda a ser distribuídas porque faltavam as matrículas, segundo o director nacional dos Serviços de Saúde, Alberto Tchiungo, que falava em exclusivo a OPAÍS.
Todas as províncias receberão ambulâncias, mas para a cidade de Luanda é um caso especial, pois ainda que recebam cinco viaturas, não serão suficientes.“Não nos esqueçamos que o país está em crise, porque senão esta questão seria vista no âmbito da municipalização dos serviços de saúde. Desde que a crise começou, a municipalização não está a receber dinheiro. E a manutenção dos meios é responsabilidade das delegações municipais. E depois, sem dinheiro, há este problema”, justificou.
“São 114 ambulâncias. Se tem mais, não sei”
Na primeira vez que o jornal O PAÍS esteve na Central de Compras de Medicamentos de Angola (CECOMA), não obtivemos nota alguma do então director, Mateus Fernandes, nem da vice-directora, em torno do caso das ambulâncias. As nossas investigações prosseguiram e até agora ficamos a saber que, após a tomada de posse do actual ministro da Saúde, Luís Gomes Sambo, o referido director fora demitido.
E actualmente, quem exerce a função de director do CECOMA, é o antigo director nacional dos Medicamentos, Boaventura Moura, que nos informou ter já encontrado as ambulâncias e que está à espera de autorização superior para tomar providências.“Compreendo a preocupação, completamos hoje (18 de Abril) uma semana no CECOMA, já há um plano de distribuição e duas províncias já vieram à busca das ambulâncias, no caso o Moxico e a Lunda Sul”.
Reforçou que possuem um total de 114 ambulâncias e todas as províncias serão servidas com duas ou três viaturas. “Esse número é o que nós temos em stock, se há mais não sei”, acrescentou o director, que entretanto está contente com o facto de as províncias já terem recebido “luz verde”, indicando que NÃO podiam vir buscar as ambulâncias quando o ministro não tinha autorizado que se fizesse a distribuição. “Mas, contudo, a situação está controlada”. E voltou a apelar à calma porque dentro em breve as ambulâncias todas estarão nos hospitais, a serem usadas.

ABRIL, 19, 2016
Pai viola a própria filha
O progenitor foi encontrado em flagrante, pela sua esposa, a violar pela quinta vez a sua filha mais velha. A adolescente de 15 anos teve de ficar calada porque o pai ameaçava incendiar a casa com os irmãos e a mãe no interior da mesma. A contas com a justiça, o cidadão disse que não compreende como é que conseguiu fazer sexo com a própria filha e acredita que tenha sido usado pelo “demónio”
Agostinho Miguel da Rosa, de 38 anos, motorista, então morador do bairro Ângelo, zona do Belo Monte, município de Cacuaco, está a ser acusado de ter violado a primogénita, dos sete filhos que tem com Eva Gomes Manuel, de 34 anos. O cidadão já vem praticando aquele acto dentro de sua própria casa desde que a menina completou os catorze anos.
Segundo nos conta a vítima, E. Agostinho, nesta que é a quinta vez, o pai aproveitou-se a ausência da mãe, no dia 23 de Março, pelas 23h, e dirigiu-se a sala – onde a adolescente encontrava-se a dormir – e a obrigou a deitar-se na esteira. Despiu a menina e praticou a acção que só foi interrompida quando a mãe entrou na sala.
“Essa não é a primeira vez que ele faz isso. Sempre dizia que se eu contar vai incendiar a casa com todos (eu, meus irmãos e minha mãe) dentro dela”, conta a menina, que aparentava estar bem, mas que a mãe acha ser fundamental passar por um acompanhamento psicológico.
A desconfiança no pai, por parte da família, começou porque Agostinho arranjava sempre motivos de se implicar com a mulher, para que esta abandonasse a casa e ficasse a vontade com a filha. Além disso, o pai controlava todos os passos da adolescente até ao ponto de ir disfarçado à escola da mesma.
“A menina não brincava, só ficava em casa porque o pai se zangava ao lhe ver com os outros meninos. Batia a menina por tudo e por nada”, disse, Eva Gomes Manuel, a esposa que vive com ele há 18 anos e que enfatizou não existir “problemas na cama, até antes do nascimento do último filho, em Agosto do ano transacto”.
Vários outros motivos levaram a família a desconfiar do pai, dentre os quais o facto de sempre que chegasse no quarto mês de cada ano lectivo, deixava de pagar a mensalidade à escola. Outro aspecto é o facto de Augustinho não ter registado nenhum dos filhos, alegando que as meninas têm de ser registadas no Kwanza Norte (sua terra natal).
Para aclarar os factos, a família chamou Eva Manuel para uma conversa, no dia 23, e foi então que Agostinho, aproveitando-se da ausência da mãe, decidiu praticar o acto de violação. A mulher encontrou-o por cima da filha. A família da mulher, não reagiu bem à situação e agrediu fisicamente o cidadão. Por conseguinte, a mulher e os sete filhos (4 do sexo feminino e 3 do masculino) decidiram mudar de bairro e abandonar a casa.

“O pénis nem sequer entrou todo”

O pai da adolescente, Agostinho da Rosa, diante da nossa equipa de reportagem, a princípio alegava que não violou a menina, porque nem sequer houve penetração, embora tenha havido intenção para tal. Conta que apenas baixou o calção e a cueca, e quando tenciona introduzir o pénis, a menina fugiu.
Acusando a menina, o cidadão reforçou que a sua filha lhe assediava muito, mostrando os seios e algumas vezes a cueca. Depois de muita conversa fiada, Agostinho disse que “tentou violar a filha, mas o pénis nem sequer entrou todo. Não é normal o pai violar a filha, certas coisas é o demónio quem faz”.
Continuou a confessar que antes de acordar a filha, acariciara e então bateu nas nádegas da adolescente. O nosso interlocutor tremia, não parava de pestanejar e gesticular, sinais que nos levam a crer que nos escondia muita coisa, além do facto de se contradizer muitas vezes. “Tem coisas que é demónio, e demónio não ataque só sob efeito do álcool, alias naquele dia nem bebi”, tentou justificar o pai, agora detido na divisão de Cacuaco.

ABRIL, 03, 2015http://opais.co.ao/pai-viola-a-propria-filha/
Feitiço à venda na zunga

Efeito rápido é a característica que as vendedeiras ambulantes atribuem, de forma unânime, ao “migosta” e ao pó da tala, por sinal, os produtos mais procurados pelos clientes.
O primeiro, um pau castanho, pequeno e mole, serve para facilitar a conquista de uma mulher, enquanto o segundo, pó verde ou castanho, quando misturado com outros, tem sido usado para provocar a tala, uma doença que se manifesta por inflamação contínua e apodrecimento da perna, do dedo, braço, ou pescoço, soube este jornal de algumas comerciantes.
“Mas a tala pode ser colocada em qualquer parte do corpo, porque também depende do membro que vai tocar primeiro no veneno”, disse a zungueira Bela, encontrada a comercializar os referidos produtos, na manhã de Sábado, 30 de Junho, nas imediações do mercado do Benfica.
Segundo ela, bastava o interessado mastigar o “migosta”, ao mesmo tempo que desenrolava a conversa com a pretendida, que esta se submetia a aceitar toda investida. O mesmo medicamento tem servido para acalmar os conflitos no lar, terminando sempre a favor das causas do usuário. Bela, que se recusou a mostrar o pó da tala, alegando que, para o efeito, era apenas intermediária e o mesmo só saia a dinheiro, exibiu o pau de conversa, também conhecido por muitos como Katchilinguitchimwe, um vocábulo da língua Umbundu, que, traduzido literalmente para português, significa «não faz nada».
A negociante explicou que o nome honra o efeito do mesmo. “Às vezes, querem-te tirar do trabalho, porque você estragou algo ou não está fazer bem as coisas. Quando vai lá conversar com chefe, a mastigar isso, como se fosse uma pastilha, ele vai-te entender e ficar bem simpático contigo”, assegurou Bela.
Questionada se nenhum dos seus clientes, alguma vez reclamou, sobre o efeito negativo de seus produtos, a senhora começou por dizer que já tinha compradores habituais, para depois contar um caso que considerou insólito.
“Como os meus melhores clientes são as pessoas que vão à praia, um dia apareceu uma jovem, para reclamar que o seu parceiro tinha desmaiado antes de se envolverem sexualmente, por causa do líquido ingerido”, narrou, sem poder evitar um sorriso receoso, tendo acrescentado que o indivíduo teria exagerado na dose.
Quanto às coincidências de utilização de que ouve falar, ela disse nunca ter acontecido com um dos seus fregueses, mas assegurou que, no caso de os dois usarem o mesmo medicamento, não fazia mal a ninguém, pelo facto de a intenção ser a mesma.
Em relação ao preço dos produtos, Bela declarou que nenhum se vendia mais de 500 Kwanzas, sendo o «migosta», pau de conversa orçados entre cem e 200. Curiosamente, as mulheres constituem a maior parte dos comerciantes destes produtos, conforme confirmou a entrevistada, que está nessa actividade há mais de três anos.
“É difícil um homem estar a vender isso, porque assim fica complicado os outros como ele comprarem o remédio”, esclareceu Bela, adiantando que, fora do mercado do Kwanza, tal actividade mercantil não se aconselhava em bancadas fixas. Quem detalhou em pormenores as razões desta dinâmica é NZunzi Makyadi, destacada próximo do mercado de São Paulo.
Ela alegou que a compra dos medicamentos normais é feita em qualquer lugar, mas os remédios de poder obedecem a um contacto em pontos estratégicos.
“Aqueles que já costumam a comprar sabem como fazer, aos novos, nós aconselhamos que nos encontrem num lugar escondido, para dar as orientações com calma, porque, se ele falhar, fica prejudicado”, revelou NZunzi Makyadi, tendo adiantado que as vendedeiras têm necessidade de “zungar”, por causa da entrega de produtos encomendados. Há cinco anos no ofício, a interlocutora desta reportagem informou que os medicamentos mais comprados são o mbrututo e o nzolamiongo ou tangawisse, que servem para curar febre-amarela, tifóide, dor na coluna e para aumentar a potencia sexual. Por serem muito populares, às vezes, são usados para conseguir outros medicamentos de poder.
“Há pessoas que vêm pedir esses remédios, mas quando lhes damos, eles dizem que precisam do mais forte, então já ficamos a saber que querem outras coisas”, revelou NZunzi, adiantando que uma das fórmulas era saber se quem estava doente era o pai ou a mãe.
A invocação dos progenitores como enfermos é um código para saber se a solicitação é para conquistar uma rapariga ou ter um lugar de destaque, no posto de trabalho.
Deambulando pela vila de Viana, na tarde de Segunda-feira, 1, Francisca Cinquenta, dirigia-se à casa de um cliente, a fim de proceder a entrega de uma encomenda.
“Ele ligou-me na Sexta-feira passada, eu estava no Seles, Kwanza Sul, e pediu para lhe trazer o pó dos banhos”, referiu a senhora, sem querer entrar em pormenores.
Tratava-se de um cliente, também comerciante cujo negócio estava muito tempo sem clientela, por isso precisava reforçar os banhos, segundo informou Francisca Cinquenta, para quem a culpa do insucesso residia no próprio, que havia abandonado os banhos, depois dos primeiros lucros. As zungueiras dos chamados medicamentos tradicionais adquirem-nos no mercado do Kwanzas, onde, normalmente, possuem uma mestra, que lhes confere todo ensinamento para poderem orientar seus compradores.

‘Não sou feiticeiro’

Por causa de curas difíceis e algumas libertações de espírito malignos que Mwanza Pedro Miguel de 36 anos de idade ou simplesmente Profeta Abraão é confundido como feiticeiro.
Alguns pensam que sou curandeiro, eu sou um profeta enviado por Deus para libertar as pessoas do mal”, relatou o Profeta Abraão, informando que, antes de se converter, em 2010, ganhava dinheiro como engenheiro mecânico, especialmente da marca de automóvel alemã BMW.
“Foi em 2010, quando muitos profetas rezavam para mim para subir ao monte, mas eu estava teimoso e preso no negócio, no vício do dinheiro, então o profeta Chamahimi, pertencente à Missão Evangélica de Reconciliação em Angola (MISSERA) me disse que poderia passar mal caso desse as costas a Deus”, descreveu o então crente irregular da MCVV, Missão Mundial Caminho, Vida e a Verdade.
Mwanza Miguel, que considera o conversor, como seu pai da fé, sublinhou que as doenças, contraídas por causa da sua teimosia, o obrigaram a subir ao monte, onde esperava a penas a morte.
“Mas aqui comecei a encontrar a cura, arrependi-me e comecei os trabalhos de sacrifício, onde fiz quase cerca de três anos, tendo ascendido, depois, a categoria de profetizador”, detalhou.
O Profeta Abraão que garantiu curar apenas por via de oração e outros rituais de culto, divulgou, que até à data, não tinha desconseguido nenhum paciente. Por isso, apelou aos atormentados por doenças e espíritos estranhos para subirem ao monte do campo de golfe.

Tratamento à disposição do cliente

Para confirmar o poderio do tão referenciado local de origem dos medicamentos, O PAÍS dedicou, Terça-feira, 2, uma ronda na secção de venda destes remédios, onde registou a exposição de uma grande quantidade e variedade dos mesmos, muitos desses já vistos na rua.
Neste local, o acesso à informação das espécies e seus efeitos reservam-se aos compradores com dinheiro em mão, entretanto, aproveitando a entrada, em cena, de um necessitado, esta reportagem conseguiu perceber que, além dos medicamentos expostos, existem em casas muito próximas das barracas, departamentos de cura e outros tratamentos.
“Mano, está a precisar de alguma coisa”, questionaram as vendedeiras que, ante ao silêncio do questionado, concluíram que o cliente estava a procura de outros serviços.
“Não há problema, ele quer conversar, chamem a mamã grande”, recomendaram as senhoras que insistiam ler o consentimento do freguês, através do seu silêncio.
Alguns minutos depois, chegou uma idosa, que aparentava ter entre 50 e 60 anos de idade. Foi apresentada como quimbandeira e ela concordou, tendo-se apressado a convidar o jovem a entrar numa farmácia tradicional e, logo a seguir, num quarto mais reservado, aonde se projectaram também os repórteres deste jornal, até então entendidos como amigos do necessitado.
O cidadão pretendia ascender na vida, pelo que a velha retirou da farmácia um pacote de origem nigeriana contendo um pó, cujo nome descrito é Seven Power e com o número sete repetido sete vezes.
“Este é para colocar na água e tomar banho, de manhã cedo e à tardinha, depois pede o que você quiser”, orientou a velha, perguntando ao candidato, se queria cumprir a primeira doze aí.
Outras propostas que respondiam as pretensões do comprador, como perfume e sabonete, foram apresentadas, mas este optou por comprar o Seven Power, o qual aceitou colocar à disposição desta reportagem para um registo fotográfico.
“Se é dinheiro que você quer ou sorte na vida, tudo requer fazer o banho com o pó e pedir”, lembrou a senhora, antes de perder de vista o aflito.
Embora se tenha recusado a falar sobre as razões das suas decisões, deixou escapar que estava muito frustrado na vida.
Sobre a tala, a senhora limitou-se a dizer que só tinham medicamentos para curar e não para provocar, mas um dos indivíduo que acompanhava a conversa, prontificou-se a mostrar, sob condição de ficar no anonimato.
“Está aí, é esse pó verde, disse o voluntário, apontando, com o dedo em riste, a uma substância cuja cor se confundia mais com um castanho, colocado de forma oculta.
Dona Inês e Maria lideram as vendas no mercado do Kwanzas, por serem as mais antigas no ofício.
Contactadas, confirmaram o poder de todos medicamentos referenciados nessa reportagem.
“Não vale apenas duvidar, isso tem poder e consegue tudo que cada um sonha”, disseram laconicamente as vendedeiras, que aumentaram, na colecção, o mubafu, jipepe, missani e Mpemba.

Poder de sedução acaba no monte

Depois de, muito recentemente, ter salvado Linda de uma tala maligna na perna direita, o profeta Abraão cujo acampamento se encontra no morro do campo de Golfe, bairro Benfica, recebeu a Abigawell Kyaku, de apenas 17 anos de idade, três dos quais dedicados a seduzir homens de níveis médio e alto.
“As sereias falaram-me que tenho um poder dentro de mim, uma força de seduzir os homens e foi isso que aconteceu desde os meus 14 anos até esta semana que a minha mãe me trouxe no monte”, contou a …., que confessou sentir-se livre de toda envolvência de coisas estranhas na sua vida. De acordo com ela, tudo começou quando um dos seus familiares recorreu a um feiticeiro para subir na vida e este lhe condicionou a arranjar um bode expiatório para trabalhar inocentemente em prol da causa.
“De repente, comecei a interessar-me por tatuagens e fiz uma codificada no braço, para servir de atracção e outra de um desenho de borboleta, na bunda. Afinal era também por via disso que os espíritos me tomavam a deslizar um charme irresistível”, disse a menina, que não se lembra de ter menos de cinco namorados, em cada uma das quatro etapas.
Ela contou que os candidatos disputavam entre si, ao ponto de lutarem uns contra os outros, mas obedeciam sempre a uma agenda por si determinadas. Instada a responder se tais relações envolviam relações sexuais, ela confessou dizendo que era mesmo por causa disso que os homens se prendiam a si, tendo realçado que, às vezes, o acto acontecia com pessoas que já tinham falecido.
Hoje, no monte, a menina recebe, constantemente, telefonemas dos reféns, confessando-lhe que não podiam viver sem ela, uma tendência testemunhada por O PAÍS, no dia desta reportagem.
Finalmente, revelou que pertencia a um grupo de mais de 25 rapazes com esse fenómeno, incluindo alguns homossexuais, que actuavam um pouco por toda parte da cidade de Luanda.

Mulheres usam ‘migosta’ para prender homens

A suspeita de que o seu segundo filho está a ser vítima da submissão sob efeito de ‘migosta’ surge quando a senhora Helena, de 53 anos, entendeu a falta de importância que o mesmo dava à família (pai e mãe). Depois de se ter casado com a jovem que a nossa interlocutora acusa de feiticeira, o seu filho – que pediu para não citar o nome – mudou completamente.
O filho mais querido de Helena depois de se ter casado nunca mais a visitou, nem mesmo quando adoece e poucas vezes liga para conversar com ela. “O meu filho foi cozinhado, porque não é normal a atenção exagerada que ele dá à esposa e a ignorância/desprezo que dá à família”, disse ela.
Consequentemente, pelo que nos conta, a nora não consegue encarar a sogra e além de proibir o marido de a visitar tem feito o mesmo com o neto de Helena. Muitas vezes, a nossa entrevistada tentou alertar o seu filho da maldade que está a passar, mas este fez ouvido de mercador. Por isso, disse, “a única solução que me tem restado é rezar”.
Por conhecer bem o filho e por saber que ele não é de obedecer a uma mulher como tem obedecido a actual, Helena descobriu o feitiço. Coisas como “não cozinhar ou lavar roupa por simples capricho, ir a festa com as amigas e dormir fora, só permitir visitas ligadas a família da mulher, ele aceita porque foi cozinhado”, conta.
Dada a experiência de vida que tem, Helena acredita que muitos são os homens que estão nessa situação, uma vez que ultimamente tem sido difícil para muitas mulheres encontrar bons homens. E como todo mal sempre vem à tona, “dos casos que presenciei, acabaram em separação, desprezo ou intrigas entre à família”, sublinhou.

À venda na praça e na rua

Entretanto encontrar vítimas do ‘migosta’ que queiram falar é uma tarefa difícil, mas o certo é que tal prática tem sido comum e se propagou com a venda descontrolada de medicamentos naturais na rua.
Em estado líquido (perfume) ou sólido (raiz/pó) o produto é comercializado com a designação de ‘migosta’ e tem o efeito único, segundo as vendedoras, de “prender o homem, fazer com que ele não tenha olhos para mais ninguém e obedece à tudo”. Embora seja um produto que também funciona quando o homem usa contra a mulher, os maiores clientes têm sido os do sexo feminino.
Não há sigilo na altura da compra, pois a nossa equipa de reportagem conseguiu ter acesso à (quase) todos os tipos de ‘migosta’. Com intuito de que queria engatar uma moça que se estava a fazer difícil, o nosso repórter comprou da bancada de Nsimba, no mercado do Palanca, o “Parfum D’amour”(perfume de amor) – vulgo ‘migosta’, a preço de 1000kz.
O referido produto, segundo a vendedora, é de origem congolesa e não falha quando bem usado. Tal como diz as instruções contidas no invólucro, que foram reforçadas pela vendedeira, deve ser usado como um perfume normal e é a partir do seu cheiro que a parceira(o) se vai apaixonar. Além de usar como perfume, segundo as informações em francês, o ‘migosta’ pode ser misturado com outros produtos de beleza ou com a água de banho. Na bancada de Nsimba há vários tipos de ‘migosta’ e o que mais as mulheres têm comprado é o “Parfum de Domination” (perfume de domação).
O perfume de domação é o ‘migosta’ mais forte, “as mulheres são as que mais compram, porque querem ter o controlo sobre os seus maridos, principalmente aqueles que gostam de gastar o salário todo na rua”, disse Nsimba. Garantiu que nenhum daqueles perfumes provoca efeitos colaterais e apesar do preço (1000kz), é credível.
“Muitas clientes, depois de acabar o perfume, vêm comprar novamente e não tenho ouvido reclamações. Além desses dois, temos também o Zacalale – um pó que põe-se na comida e é também um tipo de ‘migosta’ – custa 1300, por ser do Níger”, explicou a nossa interlocutora.

‘Migosta é um mito’

Lembra-se que quando entrevistamos Charlebois Poaty, numa reportagem publicada nas edições 312 e 313, aquele que diz ser mestre em espíritos, enfatizou que existem 35 fórmulas para resolver os problemas dos casais no seu consultório, dentre as quais a amarração amorosa, magia do amor e magia amorosa.
Intitulando-se como o melhor quimbandeiro de Angola, quando perguntado sobre o número de pessoas que diariamente procuram os supracitados serviços, respondeu que o seu consultório tem estado ‘abarrotado’ principalmente de jovens com idades compreendidas entre 18 a 25 anos. “Essas jovens vão mais para amarrar homens casados”, realçou, tendo abonado que o produto conhecido como ‘migosta’ é um mito, uma vez que “tudo que é comprado na rua não tem poder espiritual, pois o espiritualismo não actua quando se tem pendor comercial”.
Como nos conta, a sua amarração – que não deve ser confundida com o uso de ‘migosta’ – é acompanhada de vários rituais místicos, como por exemplo, “ter de amarrar o homem ou mulher na beira do mar”, conta o seu principal e mais usado ritual de amarração.
“Um pano vermelho, com o qual a mulher limpa e deixa secar o sangue da menstruação e coloca por baixo da almofada do marido, faz com que ele fique bobo. O marido pode ser cuspido na cara, pode ser chamado nomes, pode encontrar a mulher a relacionar-se com outro homem e não se zanga”, conta que esse tipo de tratamento que caracteriza como agressivo acontece na “Magia Negra” – algo que apenas conhece e não pratica.

O custo varia de 100 a 10.000kz

O conjunto de pau e óleo ‘migosta’ que encontramos na praça do Kwanzas, cuja vendedora disse que é o melhor, custa 10.000kz. Reclamamos o preço alegando que estava caro, uma vez que na rua encontramos a um preço mais baixo, a senhora disse que as zungueiras não sabem o que vendem.
Na bacia verde da vendedora ambulante Bela, que actua na zona do Benfica, encontramos o pau ‘migosta’ a ser comercializado a preço de 100 kwanzas, e que deve ser mastigado. Na bancada de Nsimba, no Palanca, encontramos também, além dos produtos citados acima, o óleo e perfume “Fais Ce Que Je Dis” (faz o que eu digo) a 1000kz.
O ‘migosta’ usado na comida “Eat with Chicken” (comer com frango) a 1200kz e “Mai Zakara” (um galo), proveniente do Níger, a 1300kz – este último tem as instruções escritas em haúça sublinhando que o produto deve ser cozinhado com galinha/frango, fígado, carne ou colocado no molho.

‘Usar isso traz problemas sérios ao parceiro’

Fazendo um enquadramento do assunto, o pastor e também orientador de casais da Igreja Josafat, Gaspar Salvador, disse que hoje a nossa sociedade enfrenta o problema da existência de pessoas que recorrem meios místicos para alcançar os seus objectivos, aliás “a própria bíblia fala disso, que existem ciências mágicas, referindo-se a umbanda, a bruxaria, o candomblé, etc., todos são usados para alcançar um objectivo”.
Segundo o nosso entrevistado a bíblia testifica as consequências desses caminhos no Deuteronómio 18, 10. “Tais práticas que citei produzem mortes, desequilíbrio social, pobreza, desintegração da família. Quem usa artes mágicas para ficar com alguém estará a criar problemas muito sérios a esta pessoa”, alistou.
Por estar a obrigar alguém a fazer aquilo que não quer, para o dirigente religioso é uma manipulação e constitui um crime. Para resolver os problemas que os casais e as famílias hoje enfrentam é fundamental saber a origem. “Muitos casais hoje casam-se sem saberem o real conceito de casamento ou de formação de família, por isso a transmissão dos conceitos bíblicos de família e casamento é importante”.
A falta de conhecimento tem sido uma das causas principais desses problemas que os casais enfrentam. Em Efésios 5, 22 vem definido o papel da esposa e do marido e as suas responsabilidades no lar, há necessidade, segundo o orientador, de os casais terem contacto com esses conhecimentos e tenham boa vontade em acatar.
A infidelidade, a má interpretação da hierarquia na família e violência doméstica são alguns dos principais problemas registados no lar. Tais problemas podem ser resolvidos com o diálogo e interesse em recuperar a felicidade, o amor, a paixão e o respeito. São aspectos como esses que devem ser trabalhados todos os dias para que o casamento seja possível e o exemplo deles sirva para a sociedade.
“Quando as vendedoras dizem que é uma forma de prender o homem, isso é errado. Todos nós temos direitos e deveres que devem ser respeitados e cumpridos. Onde há amizade, verdade, respeito e companheirismo não há necessidade de o parceiro fazer o uso de ‘migosta’, porque cada um sabe o que (não) deve fazer no casamento”, reforçou.
A vítima destes produtos, segundo o líder, fica desestruturado fisicamente e por conseguinte afectar a família. A igreja deve continuar a fazer o seu trabalho, pois tem trago uma mensagem positiva à respeito do matrimónio.
Recomendações: denunciar as práticas negativas e promover as positivas nos casamentos; trabalhar em torno do aconselhamento para que o divórcio não se propague e o entendimento prospere nos relacionamento.

13, Julho, 2016http://opais.co.ao/feitico-a-venda-na-zunga/
PROSTITUIÇÃO EM ALTA NAS REDES SOCIAIS
Elas estão nos grupos da rede social WhatsApp, algumas organizadas e outras nem por isso, cobrando de 10 a 100.000 Kz por uma hora ou uma semana de sexo. A prostituição emigrou ao WhatsApp e em grande escala.
Independentemente do facto de ser considerada a profissão mais antiga do mundo, aquelas que a praticam têm mostrado que acompanham o desenvolvimento da sociedade e particularmente da tecnologia, através da qual, por exemplo, o negócio da prostituição não foi colocado à parte.
Na rede social WhatsApp, falar de prostituição ou sobre alguma profissional do sexo, não constitui novidade para muita gente, é um assunto comum, face às partilhas de mensagens ilustradas ou sonoras. Mas, nem todos os que estão ligados à mesma rede conseguem ter contacto directo com uma prostituta. Não se consegue um contacto sem que se esteja ligado a um grupo fechado, onde poderão estar não só profissionais do sexo como potenciais usuários do serviço.
O grupo, por si só, não lhe garante o usufruto do serviço em questão, mas por ser um espaço em que todos os membros publicam o que quiserem, permite ter contacto com as profissionais e chamá-las para conversas particulares. Grupos como “Cozinha Aberta”, “Negócio Fechado”, “Tezudas” e “Papo Recto”, são alguns dos que encontramos no WhatsApp, em que a maior parte de tempo/ conversas e/ou publicações versam o sexo.
No último grupo, por exemplo, foi possível conhecer a jovem Cláudia, do Bairro Operário. Numa conversa que durou pelo menos 3 minutos, Cláudia conseguiu “vender o seu produto” e esclarecer os serviços de forma directa. Cobra de 25 a 30.000 Kwanzas, não gosta de fazer vídeo, não gosta de sexo anal e muito menos de bacanal (orgia). Ainda vive com os pais, por isso o local fica ao critério do cliente. Seus pais não sabem que está nesta vida, motivo pelo qual apenas envia fotos de suas partes sensuais e genitais (caso o cliente peça). Nunca envia o seu rosto.
Com pagamento por IBAN
De todas as jovens com que conversamos, Bruna é a que pareceu ser mais profissional. O seu perfil é coberto por uma foto das suas nádegas e não tem papas na língua, gosta de ser curta e objectiva, “para não gastar o saldo de dados”, deixou claro. Prende os clientes a partir do momento em que lhe saúdam e perguntam se está tudo bem, respondendo que “não, estou tesa” e em seguida envia uma foto sua, na cama, em posição de quatro, mostrando a parte traseira.
“A ideia é pagar e f*der ”, foi directa ao assunto. “Cobro por hora, uma hora são 20.000 e duas 30.000 Kz. Sexo oral até atingir o orgasmo 10.000 Kz, noite normal com direito a beijo e sexo oral 40.000 Kz, noite especial com sexo anal e muito mais 60.000 Kz. Sexo com dois homens, 80.000 Kz. Viagens fora de Luanda com direito a uma semana de sexo, 100.000 Kz”, ditou. O local é da escolha do cliente, porém, pelos preços que cobra muitos preferem encontrá-la num apartamento, no Kilamba. A sua lista de serviços é extensa e tão logo envia o número do IBAN, pára de conversar e aguarda pela reacção do cliente.
Caso o cliente denote alguma hesitação, há garantias, uma vez que envia também o endereço do apartamento, atende o celular e pede para confirmar o nome do titular da conta para transferir o dinheiro. Há preços para todos os bolsos, pois os mais baixos são para os serviços que denomina “fotos e/vídeos da tezudinha”, onde fotos picantes custam 2.500 Kz, grupo de p*taria 3.500 Kz, vídeo a masturbar- se 5.000 Kz e sexo virtual na plataforma IMO 4.000 Kz.
“Não devemos deixar-nos levar por estas banalizações”
Para Afonso António, sociólogo, por mais que estejamos a passar por um momento de crise e a registar certas dificuldades por parte dos cidadãos em conseguir o sustento da família, não se pode procurar o sustento por meios ilícitos ou mais fáceis. As pessoas devem trabalhar e não prostituírem- se. As crises são cíclicas, acrescentou o especialista, elas passam. Perante situações do género, temos de ser equilibrados, procurar ser fortes e não nos deixarmos levar por estas banalizações. Não podemos procurar pelo sustento por esta via.
O sociólogo reconheceu que muitas jovens se aproveitam deste meio de comunicação para procurarem os seus clientes e fazer transparecer que este negócio existe em todos os sítios e é possível ser abordado. É uma prática que condena, pois as redes sociais, para si, devem ser melhor aproveitadas, partilhando ou divulgando coisas que ajudem a sociedade, ao invés de promover a prostituição.
“Não podemos deixar de frisar também que muita gente usa as redes para denunciar. Aliás, pelas redes tomamos conhecimento de muitos crimes que hoje já foram esclarecidos. Por isso, a prostituição nas redes sociais cai bem a uns e mal a outros. Cai bem àqueles que procuram satisfazer-se por esta via e mal àqueles que não concordam com a mesma, pelo que é fundamental que se tenha atenção”, concluiu.
‘Nem todas fazem por dinheiro’
Com a Keuria, do grupo Negócio Fechado, é diferente porque para si não é o dinheiro que a faz estar nesta vida. Não tem qualquer problema em sair com um homem durante uma semana, por exemplo, como dama de companhia; dormir em hotéis, passear em risortes ou passar férias noutras províncias sem ser paga pelos serviços. Simplesmente gosta de ter “a vida luxuosa”, apesar de ter feito publicidade no grupo com uma foto mostrando as partes íntimas.
“Parece ser séria, à primeira vista , não deixa transparecer que é ‘da vida’, mas só faz isso por mero prazer”, confidenciou-nos D.M Jr., o jovem com quem ela saiu uma vez. Apesar de o negócio ser lucrativo, por um lado, e com muita concorrência, ainda existem muitas jovens inexperientes, que hesitam em aceitar certas propostas dos clientes e mostram-se despreocupadas em expor o rosto, como é o caso de Luisa. Luisa leva tempo para responder aos clientes, mesmo sem saber qual serviço (anal, oral ou vaginal) .
A moça estipula o preço de 15 mil Kz, não aceita a proposta de fazer sexo anal e o pagamento é feito depois do serviço. A nossa conversa foi em OFF depois de a jovem ter postado duas fotos no supracitado grupo, mas no final ficou sem responder a muitas de nossas inquietações.
Um preço comum da rede
Na mesma rede social foi posta a circular a gravação de uma jovem que sugeria às suas colegas que adoptassem um preço único, uma vez que muitas acostumaram- se a cobrar 30 mil Kz. A jovem justifica que deste modo ninguém sai a perder, e porque o país atravessa uma crise económica, deviam cobrar entre 15 a 25 mil.
“Deve ser feito um desconto àqueles que são mais delicados, que levam a almoçar e passear, para além de pagar a hospedaria. Portanto, vamos fazer uma hora, uma f*da (entende-se até atingir o orgasmo) 15 mil Kz, duas horas, duas f*das 25 mil Kz”, ouvese no material áudio posto a circular nos grupos.
Snapchat será a próxima paragem
Para além do WhatsApp, também existe o aplicativo Snapchat, que ainda é pouco usado entre os internautas angolanos, cuja prostituição é melhor desenvolvida e mais sofisticada para quem quer privacidade neste tipo de envolvimento. É um aplicativo no qual os usuários podem tirar fotos, gravar vídeos, adicionar textos e desenhos à imagem e escolher o tempo em que a imagem ficará no visor do amigo de sua lista.
Isto é, após a abertura de qualquer ficheiro recebido, o Snapchat tem o prazo limite de 1 a 10 segundos para eliminar. Não arquiva nada. Por exemplo, a imagem ou vídeo são excluídos do dispositivo e também dos servidores, ao contrário do que acontece no WhatsApp.

29, Julho, 2016

http://opais.co.ao/prostituicao-em-alta-nas-redes-sociais/