domingo, 4 de dezembro de 2016

114 AMBULÂNCIAS NOVAS DEGRADAM-SE NA CECOMA
Uma centena de ambulâncias novas estão estacionadas no quintal do CECOMA, sem serem usadas, enquanto uma ronda de OPAÍS mostra a carência destes meios de transporte em algumas unidades hospitalares.
À entrada do quintalão da Angomédica, junto à Central de Medicamentos de Angola, chama logo a atenção a quantidade de ambulâncias novas, ainda sem matrículas, estacionadas. Dado o extenso tempo de estadia que têm no local, estão sujas e o capim já as vai envolvendo. Segundo um funcionário da instituição, as ambulâncias são “uma remessa do antigo ministro da Saúde, José Van-Dúnem, e foram cair de parqueadas no quintalão em 2012”.
Interrogado sobre as razões daquela “estadia”, o interlocutor disse também desconhecer, pois “as viaturas estão boas”, lamentando, porque é de opinião que “as viaturas deviam estar nos hospitais”, já que foram compradas para este fim. “Deve ser um negócio dele (do ministro). Aqui acontecem coisas que você nem sequer imagina”, disse ele, não se apercebendo de que estava a falar com uma equipa de jornalistas. “Tem um parque, em Viana, ao lado da administração, que tem mais carros desses, inclusive da marca IVECO.
Pelo dilatado de tempo que estão paradas, as baterias descarregaram, e isso envolverá mais gastos ao Ministério na compra de novas baterias”, acrescentou. A nossa fonte estimou um total de 132 viaturas estacionadas no quintal, de marca Toyota, também famosamente conhecidas por “18 províncias”, que há muito tempo apanham poeira, chuva e servem de esconderijo aos gatos, porque não estão a ser usadas. Numa ronda feita às unidades sanitárias da cidade capital conseguimos apurar a necessidade de se renovar o parque de ambulâncias nalguns hospitais e, noutros simplesmente não há ambulâncias.
No Hospital Américo Boavida, por exemplo, apenas uma ambulância funciona, com algumas dificuldades, dada a sua antiguidade, sendo que uma outra está avariada. No Centro Médico do Zango I a ambulância está avariada há muito tempo. Enquanto isso, no centro médico dos Ramiros, município de Belas, a ambulância também está avariada e torna-se difícil aos pacientes saírem da localidade até a um hospital especializado, por exemplo, visando um rápido atendimento para os casos que não encontrem resposta imediata ao seu problema na localidade.
São também obrigados a carregar os doentes ao colo ou às costas aqueles que acorrem ao Hospital Geral do Huambo, porque as três ambulâncias daquela unidade sanitária estão avariadas, segundo constatação feita pela reportagem de OPAÍS.
‘Há que se ter em conta o custo da manutenção’
O porta-voz do Ministério da Saúde, Carlos Alberto, diz as ambulâncias não estão a ser utilizadas por falta de um plano de distribuição, pelo que não sabe quando é que serão distribuídas. “A questão não é só distribuir as ambulâncias, deve-se ter em conta, também, os custos de manutenção das mesmas. Se vir, nas unidades por que passou, tem pelo menos uma ambulância avariada.
Há hospitais em que a ambulância não cumpriu o tempo estabelecido de uso, então vamos dar também a quem nunca teve uma”, disse. As ambulâncias não estão ainda a ser distribuídas porque faltavam as matrículas, segundo o director nacional dos Serviços de Saúde, Alberto Tchiungo, que falava em exclusivo a OPAÍS.
Todas as províncias receberão ambulâncias, mas para a cidade de Luanda é um caso especial, pois ainda que recebam cinco viaturas, não serão suficientes.“Não nos esqueçamos que o país está em crise, porque senão esta questão seria vista no âmbito da municipalização dos serviços de saúde. Desde que a crise começou, a municipalização não está a receber dinheiro. E a manutenção dos meios é responsabilidade das delegações municipais. E depois, sem dinheiro, há este problema”, justificou.
“São 114 ambulâncias. Se tem mais, não sei”
Na primeira vez que o jornal O PAÍS esteve na Central de Compras de Medicamentos de Angola (CECOMA), não obtivemos nota alguma do então director, Mateus Fernandes, nem da vice-directora, em torno do caso das ambulâncias. As nossas investigações prosseguiram e até agora ficamos a saber que, após a tomada de posse do actual ministro da Saúde, Luís Gomes Sambo, o referido director fora demitido.
E actualmente, quem exerce a função de director do CECOMA, é o antigo director nacional dos Medicamentos, Boaventura Moura, que nos informou ter já encontrado as ambulâncias e que está à espera de autorização superior para tomar providências.“Compreendo a preocupação, completamos hoje (18 de Abril) uma semana no CECOMA, já há um plano de distribuição e duas províncias já vieram à busca das ambulâncias, no caso o Moxico e a Lunda Sul”.
Reforçou que possuem um total de 114 ambulâncias e todas as províncias serão servidas com duas ou três viaturas. “Esse número é o que nós temos em stock, se há mais não sei”, acrescentou o director, que entretanto está contente com o facto de as províncias já terem recebido “luz verde”, indicando que NÃO podiam vir buscar as ambulâncias quando o ministro não tinha autorizado que se fizesse a distribuição. “Mas, contudo, a situação está controlada”. E voltou a apelar à calma porque dentro em breve as ambulâncias todas estarão nos hospitais, a serem usadas.

ABRIL, 19, 2016

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