domingo, 4 de dezembro de 2016

Angola só tem três máquinas de radioterapia
Em média, o Instituto Angolano de Controlo de Cancro recebe 18 doentes por mês que precisam receber tratamento de radioterapia, um número que tende a crescer. Das 13 máquinas para este tipo de tratamento que o nosso país devia ter, existem três e apenas uma está no referido instituto.
Há sensivelmente três anos que o Instituto Angolano de Controlo do Cancro (IACC) realiza tratamentos de radioterapia, apesar das dificuldades que têm encarado, uma vez que a demanda é demais para tão poucos recursos materiais e humano.
O tratamento por radioterapia que há muito tempo tem levado muitos dos pacientes que sofrem de algum tipo de cancro para fora do país, apesar de já ser possível em Angola, existe apenas em duas instituição, no IACC e na Clínica Girassol. Profissionais da área lamentam o facto de, em todo o país, existirem apenas três máquinas de radioterapia, das quais duas estão na Clínica Girassol e uma no único Instituto Angolano de Controlo do Cancro.
Esta problemática também está a ser abordada na Conferência Internacional sobre o Cancro que termina hoje, em Luanda, promovida pela Fundação Eduardo dos Santos (FESA). Desde Setembro de 2012, altura em que o referido instituto começou o tratamento com radioterapia, foram tratados, até à presente data, um total de 857 pacientes (18/mês).
Deste número, 77% dos doentes pertencem ao género feminino, com maior incidência para o cancro do colo do útero, e 23% ao género masculino, segundo Euclides Bango, médico especialista do IACC. Acontece que a maior parte dos doentes chega ao IACC já em estado muito avançado da doença, facto que dificulta o tratamento. Em função dos registos elevados de doentes de cancro no nosso país, a Organização mundial da Saúde (OMS) recomenda que tenhamos, no mínimo, 13 máquinas para a radioterapia.
O medo da radiação
A radioterapia contribui significativamente para o controlo local da doença, pelo que o tratamento tem melhorado a condição de vida de muitos cidadãos, mas ainda há muita gente que teme o tratamento. “O tratamento é no local específico em que se encontra o tumor. É claro que a radiação provoca sequelas, mas as pessoas não precisam de ter medo. As reacções adversas da radioterapia são controladas, uma vez que os médicos que acompanham o doente receitam medicamentos para tal”, defendeu Euclides Bango.
A falta de informação tem afastado muitos doentes de receberem tratamento no IACC. O instituto tem envidado esforços para a sensibilização, de modo a aumentar o número de doentes assistidos e desta forma diminuir o tempo de espera que existe para que o doente possa receber o tratamento. “Temos uma máquina, mais profissionais estão em formação e a se tornarem autónomos, vamos aumentar os turnos e esperamos aumentar a assistência aos doentes.
Um dos desafios que o instituto tem é o término das obras do novo búnquer para que sejam instalados os aceleradores que permitirão aumentar o número de assistidos”, exorta. O mesmo instituto espera o licenciamento do aparelho de braquiterapia de alta taxa, onde se aproveitam os orifícios naturais do organismo para o tratamento de radiação que é feito particularmente aos doentes com cancro do útero.
Mais informação precisa-se
Para o especialista em medicina nuclear, Silva da Cruz, da Clínica Girassol, as pessoas deviam estar mais informadas, ao invés de chegarem à conclusão de que o referido tratamento dói. É um processo, o paciente é avaliado, é delimitada a área que vai receber o tratamento e são quantificado os grays (energia de radiação ionizante) para o tratamento do cancro. Reconhece que durante o tratamento existirão alguns tecidos que serão afectados, daí o aparecimento de efeitos secundários, dependendo da dose, como a escamação, pele ressecada, mas é importante que o paciente analise os custos e os benefícios.
Para este caso os benefícios pesam mais. “Sou físico e na produção radiológica existem três princípios, dentre os quais a optimização, limitação de dose e a justificação, que têm sido aplicados. Bem como os princípios básicos, a maximização da distância com a fonte emissora de radiação (para o caso do médico), diminuição do tempo de exposição e a implementação da blindagem. Se observados, os resultados são satisfatório”, transmitiu.

26, AGO, 2016

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