segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Raparigas dançam nuas por menos de 20 mil kwanzas


Raparigas dançam nuas por menos de 20 mil kwanzas

Actualmente as noites, festas ou rav’s, na cidade capital, mais concretamente nos bairros suburbanos, têm sido animadas por uma rede de mulheres que dançam completamente nuas. O que começou como uma diversão, virou febre e o número de dançarinas aumentou, apesar da caça que a Polícia tem feito. As raparigas não lucram muito, são ofendidas e, ainda assim, gostam daquilo que fazem

Romão Brandão

Esta moda, das mulheres dançar nuas nos eventos, foi criada por um grupo chamado “Staff Bacona”, no município do Cazenga, bairro do Curtume. O grupo ganhou notoriedade, não só naquela zona, como em várias partes da cidade de Luanda, uma vez que os espectadores faziam vídeos da actuação e algumas destas gravações foram parar na internet.

Hoje, maior parte das integrantes do grupo vive maritalmente e abandonou esta carreira. Tentamos contactar a referida “staff”, mas nenhuma delas se predispôs a falar sobre o assunto, pois, além de desconfiar que o nosso repórter tinha alguma ligação com a Polícia, tencionam esquecer tudo que fizeram na antiga vida.

Aquele grupo desapareceu das festas, mas a prática criada por si, permaneceu e, actualmente, os municípios de Viana, Sambizanga, Cacuaco e Cazenga (este último lidera a lista) estão minados de moças que dançam nuas. Os organizadores de eventos as usam como uma boa estratégia de angariação de cliente.  

A estratégia consiste em coloca-las a dançar em palco, a princípio, seminua e em função do trabalho do animador e daquilo que o público pedir, terminar tirando toda roupa. Nas festas, noites e principalmente nas rav’s, este tipo de actuação tornou-se indispensável para a satisfação de quem as frequenta.

Tomamos conhecimento que no município do Cazenga existem os grupos, “Rebola”, “Lambe lá”, “5 Letras”, “Maning nice” e “as Que se Mudam na Rua”; em Viana, “as C*na russa”, “Mamã me Enxotou” e “as F*didas”; em Cacuaco, “as Vaconas” e no distrito do Rangel, “as Cú Quente”.

Numa rav’s, pelo que vimos num vídeo, dado o pendor organizativo, podem aparecer dois grupos (com mais de 3 moças) a partilharem o mesmo palco. As vezes, quando um grupo está a ser menos aplaudido que o outro, as moças abandonam a rampa, procuram estar mais próximas dos espectadores, mostrando tudo, e acabam por se envolver sexualmente, diante do público.

Embora não tenha chegado até aquele extremo, a jovem Tamima Star, pertencente ao grupo “as F*didas”, que existe há 2 anos, disse que para fazer este tipo de dança não precisa estar drogada, como muitas pessoas pensam, aliás o único tipo de droga que consumem é a bebida alcoólica.

O grupo daquela jovem, que é composto de 9 meninas (apenas 3 dançam) é muito conhecido no município de Viana pelos organizadores de evento e, segundo ela, fazem aquele tipo de coisa para se divertir e também porque gostam de dançar. “Eu, particularmente, não conseguiria viver sem a dança”, disse a rapariga, que estava preparada para dançar na “publicidade” (uma pré-festa) do enceramento das rav’s do “collant chuchuado” e “tchuna baby”.

A jovem apresentou-se trajada de “collant” e uma blusa com os dizeres: “Eu nunca disse que prestava!”. Perguntada se aquela frase era o lema do seu grupo, disse que não, era simplesmente um “vaiser” – vontade de andar vestida de uma blusa com aquelas palavras.

Reconheceu que é uma loucura, aquilo que fazem, mas apesar de tudo, conseguem. “Temos orgulho do que fizemos, apesar de existir pessoas que nos criticam, nos ofendem, dizem que não valemos nada e nos chamam de prostitutas. Nós temos ignorado isto, porque quando estamos em palco, a coisa é outra”, encheu-se de vanglória.

15.000kz para tirar toda roupa

As “F*didas” foram várias vezes convidadas pela “Staff 3 Kambas” a dançar nuas nas “publicidades” do “collant chuchuado e tchuna baby”, que no sábado,07, irá encerar a tournée de eventos com aquele título. Segundo o Chorão Fininho, um dos organizadores e animador da referida staff, têm pago àquele grupo de meninas 15.000,00kz para que tirem toda roupa, em palco.

Dos 10 eventos em que elas participaram, o preço foi o mesmo e o serviço prestado também. O grupo 3 Kambas existe há 6 anos e o nosso entrevistado afirmou que já trabalharam com “as Baconas”, pagando sempre o mesmo valor.

“Este tipo de show, em que elas tiram toda roupa, normalmente, começa as 0h ou 1h e vai até o fim da festa. Já trabalhamos, também, com as “Lambe lá” e as “Maning nice” – este último, nos cobra 8.000,00kz, por serem da “banda” e fácil de lhes convencer”, disse ele, que muitas vezes tem sido o responsável, do seu grupo, por esse tipo de negociação.

Segundo o nosso entrevistado, com aquelas jovens dançando nuas em palco, consegue vender mais de 50 camisolas e convites. “Sem elas tudo fica difícil, para nós, uma vez que não temos nome no mercado. Sabemos que a Polícia está atrás dessas moças, por isso, actualmente, convidamos apenas um grupo, quando trabalhávamos com dois”, frisou.

“Não trabalhamos sozinhas”

Estas moças que dançam nuas são muito cobiçadas, por isso, o grupo as “F*didas”, por exemplo, tal como disse a Tamima Star, trabalha com um desses indivíduos, conhecidos como “manager”, que são: o Hugo Major, Melancia e K2 (este último, controla vários grupos, inclusive também a “Staff Bacona”).

“Não são nossos chefes, mas sim pessoas que nos protegem quando vamos actuar. Quando estamos numa festa que tem muitos bandidos e não dá para dançar, eles nos avisam, senão fica difícil sairmos dali. Houve uma vez em que, para sairmos da festa, tivemos de trocar de roupa”, aponta.

O tempo de actuação, muitas vezes também é controlado por aqueles “manager” e caso ultrapasse, eles exigem à organização que pague mais. Por outro lado, também são estes jovens que negociam a possibilidade das dançarinas não actuarem no chão ou fazendo uma roda, porque o público tende em as apalpar.

A nossa entrevistada acha que é muito pouco, aquilo que o seu grupo ganha, pois não chega para sustentar a vida das integrantes, senão para comprar roupas e calçados. Porque têm de dividir o dinheiro com o “manager” que tiver a lhes acompanhar. Acredita que, se fosse numa discoteca, pagariam melhor, por isso, estão dispostas a trabalhar, como stripper, num estabelecimento desse.

Apesar das ofensas que tem sido vítima, a nossa interlocutora disse que não se sente mal e não vai deixar de fazer o que faz, porque não perdeu o namorado, “ganhei mais pretendentes, tenho muita concorrência, tanto de jovens quanto de senhores e miudinhos”, reforçou.

Para finalizar, Tamima disse que o seu grupo nunca teve problemas com a polícia, mas recordou que recentemente o K2 caiu numa armadilha e quase seria preso.

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Baixinho Requintado, ex animador das “5 Letras”  

Se o animador for bom, a festa vira pornografia

Ele disse que já não anima mais, porque também as responsabilidades aumentaram, formou família e chegou uma altura em que os organizadores de evento já não davam o devido valor a estes “profissionais”. Baixinho Requintado tem 5 anos de animação e lembra que quando começou, existia poucos animadores no Cazenga, que mexiam com o público.

Citou o Bia-G, Godsila do Game e o Sanguiloy, além dele, como os indivíduos que tomavam conta daquele município em termos de animação e aponta que é preciso ter dor, por ser a partir desta (animação) que as moças ganham coragem de chegar até ao imaginável.

“Antes era só começar numa dança sensual, mas pela vocação do animador, criação da agitação, a dar umas dicas no microfone e a fazer o público a vibrar, chegavam à loucura. Depois a festa se transforma em leilão. Eram miúdas idóneas, umas viviam com os pais e outras maritalmente, mas que nas festas, acabavam por se perder”, lembra.

A animação, voltou a frisar o entrevistado de OPAÍS, é que, muitas vezes, incentiva essas miúdas a tirarem a roupa. Se o animador não for bom, parecer tímido e não convencer o público, as dançarinas não vão se sentir a vontade. Se for o contrário, “não precisa muito tempo para colocá-las completamente nuas, peladas – como dizem os brasileiros”, afirmou.

Já houve, segundo nos conta, um desafio entre as “Bacona”, as “5 Letras” e as “C*nas Russas”, onde ele era o responsável pela animação do segundo grupo, o Bia-G do primeiro e, o terceiro, ficou a cargo do Godsila do Game. “Era uma cena perigosa”, disse, e as miúdas não queriam saber que estava a lhes assistir, “alguns homens subiam em palco, mudavam e faziam sexo com elas”.

Quanto mais loucas as moças fossem, mais adrenalina a festa tinha, mas o público curtia e, infelizmente, terminava em confusão. “O público reage mais quando sabe que, ali, tem uma mulher nua. Lembro que, naquela festa, as “5 Letras” ganharam, mas acabaram por lutar (nuas) com os outros grupos, enquanto uns faziam filmagens”, conta.

Devido a estas lutas, as violações que as moças estavam sujeitas e também porque os organizadores de eventos já não valorizavam os animadores, Baixinho Requintado abandonou esta carreira e, hoje, as “5 Letras” baixaram.

Quanto ao valor que as meninas recebiam, o interlocutor disse que as menos espertas, as vezes, ficavam com um saldo ou uma grade de cerveja, se o organizador do evento for conhecido, mas as mais inteligentes cobram 8, 10 ou 15.000,00kz.

O tempo de demora em palco varia, em função das propostas que vão surgindo. E como “o valor monetário, ali, falava mais alto, o público pedia, eu anunciava e elas apenas obedeciam”, descreveu ele que disse nunca ter idealizado fazer este tipo de coisa. “Foi algo momentâneo, quando dei conta já estava a animar as moças, que começaram a dançar sexualmente e terminaram sem roupa, em palco”, atestou.

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Os eventos que elas dançam

Se, por um lado, é difícil entrar em contacto com as jovens dançarinas, por outro, torna-se fácil assistir o “show” delas, para quem é seguidor de festas nocturnas, por exemplo, nas zonas suburbanas. Todos os fins-de-semana a agenda daquelas raparigas é preenchida com uma actuação nos municípios do Cazenga, Sanbizanga, Cacuaco ou Viana.

RAV’s: o ingresso custa 500 à 1000kz (excepcionalmente, as mulheres podem não pagar). O principal íman destes grupos de moças que dançam nuas é a “rav’s” – um tipo de comemoração festiva onde (quase) tudo pode acontecer. Naqueles municípios, este tipo de festa é realizada frequentemente e, muitos organizadores, hoje, preferem contratar os serviços destas “moças”, por ser uma boa estratégia de angariação de clientes.

Segundo um organizador de festas, a “rav’s” surgiu no Brasil e não tem muita diferença da “Festa ou da Noite”, mas muita gente associa este tipo de comemoração à confusão, pornografia ou maior concentração de bandidos. Hoje, é vista como um tipo de festa de baixa categoria e, em algumas áreas, os organizadores não adoptam o nome de “rav’s” porque atrai menos clientes.

Na “rav’s”, ainda que não apareçam grupos específicos a dançarem nuas, dada a natureza louca da festa, há sempre alguém dando um show semelhante, sob efeito do álcool ou mesmo drogas mais pesadas. Acontecem, maior parte das vezes, à meia-noite, em circuito fechado e de difícil acesso da polícia.

Noite/Festas: o ingresso custa 1000 à 2000kz (excepcionalmente, as mulheres podem não pagar). Estas são conhecidas e fácil de se encontrar até mesmo nas zonas urbanas, mas nem todo tipo de Noite/Festa aparece moças dançando nuas, excepto aquelas com títulos pejorativos ou obscenos.

Festas com nomes como “Noite do Porno”, “Noite do corno ao vivo” ou “Noite do vamos se comer”, por exemplo, ainda que não consta no panfleto a participação daquele tipo de moças, certamente haverá um, dos vários grupos existentes, de mulheres que praticam nudismo.

Estas festas geralmente começam as 22 ou 23h e vão até o dia seguinte às 4-5h. São realizadas também em circuito fechado e, algumas vezes, com fácil acesso da polícia – mas os agentes não dificultam a realização, porque, em muitos casos os organizadores fazem-se acompanhar de um documento passado pela direcção municipal da cultura, que lhes autoriza a dar festa.

De acordo a um festeiro que falava ao nosso microfone na condição de anónimo, muitas dessas moças, dado o facto de que alguns homens não conseguem controlar as emoções, acabam por ser “arrastadas” (levadas para fazer sexo). Por outro lado, o desfecho da Noite/Festa pode dar-se também com lutas, porque uns (não) ficam com as damas.

Publicidade: entrada livre. É uma actividade que consiste em publicitar uma Festa/Noite, Rav’s ou Praia e premiar os possíveis participantes. Ou seja, a equipa organizadora aluga um trailer, contrata um disco-jockey (DJ) e um animador – estes dois têm o dever de fazer com que as pessoas sejam atraídas e convencidas a comprar um ingresso da festa que, normalmente, acontece no fim-de-semana a seguir.

O trailer normalmente fica na rua principal do bairro em que vai ocorrer o evento, num campo ou num largo muito movimentado. Se o animador e o DJ forem conhecidos, não demora muito para que o público adira à publicidade e começa a comprar os ingressos, t-shirts e a se candidatar aos prémios.

Se a publicidade estiver boa, o DJ tocar bem e o animador ser bom de lábia, haverá mais pessoas a comprar os ingressos, porque no próprio evento será melhor ainda. Enquanto nas “rav’s” e Noite/Festa há algumas restrições na entrada, a publicidade é aberta à todo mundo (crianças, adolescentes e jovens) e não se paga nada.

Apesar das moças que dançam nuas actuarem um pouco tarde (0h/1h da manhã), em alguns casos, algumas crianças e adolescente chegam a assistir o “striptease”. Os organizadores mais responsáveis procuram formas de afastar as crianças nesta altura, mas depois acabam por perder o controlo da situação. Por este motivo, em alguns sítios a polícia tem feito “caça às dançarinas”.

Show: o ingresso custa 1000 à 2500kz. Aqui, a actuação das jovens dançarinas depende muito dos músicos convidados para o show. Em muitos caso os organizadores preferem usar as stripper como suplentes caso os músicos convidados não apareçam, de modo a não deixar a público na mão.

Geralmente são os shows de “kuduro e house” que acontecem estes tipos de exposição e com a participação de músicos pouco conhecidos. Entretanto, as moças aparecem, muitas vezes, para ofuscar o fracasso da comissão organizativa em conseguir trazer os artistas previstos.     

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Direcção Provincial da Cultura

“Estamos a tomar providências”

Por ser uma actividade cultural, e porque muitos dos organizadores daqueles tipos de eventos enrolam a Polícia mostrando uma documento passado pela repartição municipal da cultura, OPAÍS, ouviu o chefe do departamento de Acção Cultural da Direcção Provincial da Cultura, Manuel Gonçalves, sobre o processo de legalização de eventos.

O nosso entrevistado começou por dizer que só pode realizar espectáculo quem é promotor de eventos, segundo o Decreto Presidencial 111/11, que regula as actividades de espectáculos e divertimentos públicos assim o determina.

De acordo o chefe do supracitado departamento, tem havido muitas vezes a violabilidade desta lei, mas, contudo, garantiu que nenhuma das festas que são autorizadas por aquele departamento e suas repartições municipais, dão a conhecer que irá acontecer esta ou aquela situação.

Normalmente, quando um organizador de evento solicita a autorização, lhe é exigido a discrição da hora do evento, facha-etária dos participantes, o elenco artístico e o valor de ingresso, e tantos outros aspectos. Em caso do departamento verificar, a partir dos dados fornecidos pelo organizador, que provavelmente haverá violabilidade da lei, não autoriza de modo nenhum a realização do evento.

As vezes, segundo Manuel Gonçalves, o que acontece é o cidadão não denunciar estas práticas e mentalizar que a responsabilidade de resolver este problema é simplesmente do estado. É impossível, acrescentou, estarem em todos os recintos ou em todas as actividades que se realizam na cidade de Luanda.

Aquele departamento tem trabalhado em colaboração com a Polícia Nacional e a Económica, quando tomam conhecimento daqueles tipos de cenas nas festas. “Muitos organizadores de eventos ainda fazem confusão, pensando que por ter a autorização de dar festa pode infringir a lei, permitindo a entrada de menores de 18 anos, por exemplo. Logo, ao constatarmos este tipo de coisa, o chamamos à responsabilidade”, aclarou.

“Não vamos proibir as pessoas de realizar as actividades, mas exigir que devem fazê-las em conformidade com as normas”, disse, fazendo lembrar também que as festas que acontecem em via pública devem ir até à meia-noite, segundo o Decreto Presidencial, caso contrário constitui violação e quem tem responsabilidade de fiscalizar é o município, por ter emitido a autorização.

Quanto a questão ligada ao “striptease” que tem acontecido nas festas, rav’s, noites e shows na cidade de Luanda, aquele responsável disse que precisam de provas para agirem, pois muitas vezes são informados e quando aparecem no local, não têm visto.

“Nós precisamos que o cidadão consciente nos ajuda a encontrar estas pessoas. Temos estado a tomar providências quanto a estas situações, tanto é que já encerramos as festas, por exemplo, do “vamos se comer” ou do “tira tudo”, e não autorizamos festas que a prior indiciam à más praticas. Naturalmente, volto aqui a frisar, o sucesso do nosso trabalho também depende das informações que nos têm chegado”, apontou.

O responsável acredita que tem acontecido muitos eventos ainda sem autorização das repartições da cultura e quando isto ocorre, têm apreendido os materiais de som e multas que vão até os 350.000, 00kz.

Demais a mais, importa realçar que em alguns municípios, como o Cazenga e Viana, a Polícia Nacional está a fazer uma “rusga” a estes grupos de moças, tanto é que muitas delas não aceitaram falar sobre as cenas de nudismo que fazem, com medo de serem presas.

O grande problema é que maior parte destas festas com “strippers” são realizadas em locais de difícil acesso da Polícia, excepto as “publicidades” – onde os organizadores optam em deixar a parte em que actuam as meninas, depois dos agentes policiais passarem no local para verificar se está tudo em ordem.

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Associação Rede Mulher Angolana

Mulheres assim não são dignas de respeito

Face a esta situação e tantas outras que, segundo algumas pessoas, não têm dignificado a mulher, o nosso jornal ouviu a Associação Rede Mulher Angolana, que também defende, muitas vezes, o direito do género. A coordenadora, Fernanda Ricardo, e a responsável do comité de mulheres políticas, Carolina Miranda, mostraram-se preocupadas com o comportamento de muitas jovens.

Tem havido ultimamente a inversão dos valores morais, disseram, “a nossa sociedade está doente e, sobretudo, a juventude. Às vezes, as mães quando aparecem a repreender são vistas como ultrapassadas”, acrescentaram elas, deixando claro que a modernização não pode se sinonimo de exposição do corpo, que muitas dessas jovens pensam.

Para as associadas, já basta a imagem da mulher aparecer constantemente nas publicidades de cerveja, vinho ou bebidas espirituosas, que não a tem dignificado. São coisas que nada tem a ver com a nossa cultura e acreditam que deve-se reaver os nossos verdadeiros hábitos e costumes.

“Qualquer pai não admitiria isto. Não devemos aderir tudo que vem do exterior, como se fossem coisas normais. Estamos precisamente a chamar atenção à nossa juventude para se consciencializar, não ser Maria-vai-com-as-outras. Devemos valorizar o que é bom e que nos dignifica, caso contrário, não”, disseram.

Aquela rede de mulheres chama atenção às jovens angolanas para que não façam coisas que dão a entender que o corpo da mulher é um produto ou chamariz. “As pessoas já não usam a cabeça, é mesmo já o corpo. Mulheres assim não são dignas de respeito. Ficam a mostrar o corpo e todo mundo já sabe que tem uma mancha aqui ou lá”.

A rede está a desenvolver um projecto sobre a violência doméstica, já que é dentro deste tipo de violência que tencionam também abordar questões ligadas à violência sexual. Pretendem “banir” aquilo que, muitas vezes, tem provocado a violência sexual e aquele tipo de exposição é uma via de instigação.

“Os nossos filhos são muitos exigentes, por isso, as mães têm de estar atentas, ver o que a filha faz, como se veste, etc. Na mente da juventude de hoje há uma influência muito positiva e negativa dos meios de comunicação e, muitos deles, assimilam os ensinamentos destes meios e ignoram o dos pais. Por outro lado, a dinâmica da vida faz com que os pais não tenham tempo de acompanhar os filhos”, finalizaram.

 

A geração do álcool




Produção e consumo em escala

A geração do álcool

O número de mulheres, crianças, adolescentes e jovens que consumem álcool cresceu de modo alarmante, nos últimos tempos. Ao que tudo indica, a situação pode vir a deteriorar, uma vez que tornou-se comum ver mulheres grávidas a beberem. Enquanto isto, a indústria cervejeira cresce significativamente, o número de «alcoólatras precoces» também e, por conseguinte, os medias não param de noticiar acidentes causados por excesso de álcool – algumas pessoas consideram a actual geração como sendo a do álcool.

 

Romão Brandão

 

Segundo a revista Exame, edição 26, nos últimos cinco anos, investiu-se 700 milhões de dólares em quatro novas fábricas de cerveja e, em breve, haverá mais quatro em Luanda. Bebe-se 9 milhões de hectolitros de cerveja por ano, sendo 7500 fabricados no nosso país e 1500 provenientes do exterior.

 

A actual geração consume mais cerveja em relação aos outros tipos de bebidas alcoólicas e têm como preferência a provenientes da Companhia União de Cervejas de Angola (CUCA) – também detentora das marcas nacionais Nocal, Eka e Tchizo, e internacionais 33 Export, Castel e Doppel Munich (preta).

Em muitos casos, esta geração fica ligada ao álcool a partir do momento em que é embrião, pois algumas mães não compactuam com a ideia de que devem evitar o consumo deste tipo de bebida enquanto estiverem em estado de gestação. Poucos são os «bebés indefesos» que conseguem sair ilesos das consequências desta ignorância dos seus progenitores.   

Sentadas ao lado de uma das 14 roulottes que estavam num largo, nas imediações da conhecida «Escola 39», Cazenga, bairro do IFA (Indústria Fosforeira de Angola), Magui, de 33 anos, grávida de 5 meses, consumia Cuca Mini com as suas amigas (que não se identificaram, por receio).

O nosso repórter, disfarçado de cliente, conseguiu conquistar a simpatia das quatro senhoras, que já estavam na 7ª rodada, tendo passado aproximadamente 2 horas desde que haviam começado aquilo que elas chamam de “um simples convívio entre amigas e colegas de trabalho”.

Bebés que pedem cerveja(?)

Enquanto conversávamos, Magui confessou que não tem feito muito o uso de bebidas alcoólicas, mas este filho que espera lhe tem provocado um desejo exagerado, principalmente, em beber cerveja. Então, “para não passar mal, ter que sentir enjoos ou vomitar, bebo umas Cucazitas”, disse ela que em seguida justificou não ser a única naquele meio que passa(ou) por isto durante a gravidez.

As vezes, não consegue controlar o desejo, desabafou, e chega a consumir grade e meia de cerveja só num dia. Ela bebe desde os seus 19º aniversário e, embora tenha sido aconselhada a deixar, não vê motivos para tal, pois acha primordial “curtir a vida, uma vez que é curta e cheia de problemas”, disse.

Aquela mãe alega que já algum dia lhe disseram que o consumo de álcool em estado de gestação faz mal ao bebé, mas não liga muito estas teorias porque, praticamente, para si, não funciona, dado o facto de que é a sua 3ª gravidez e os seus filhos nasceram bem saudáveis.

As suas amigas, que desconfiavam de tudo, principalmente da tentativa do nosso repórter em trazê-las à conversa, são companheiras da Magui desde a sua adolescência. Todas vivem com marido (que também faz o uso de bebidas alcoólicas) e a nossa entrevistada disse não ter problemas com o seu cônjuge, desde que um beba e não esqueça do seu papel em casa.

Casos do género, em que o filho consume álcool enquanto feto, têm sido registrados com assiduidade no centro de reabilitação REMAR Angola, segundo Eduardo Prata, um dos responsáveis daquela casa. Têm recebido também mulheres dependentes do álcool em estado de gestação, inclusive, lembra ele, houve uma senhora que deu a luz no centro e enquanto estava a ser assistida no hospital, abandonou o bebé. Hoje, a REMAR tem cuidado do «coitado», de 5 anos, e a mãe nunca mais foi vista.

Várias são as mulheres que se encontram na situação da entrevistada Magui e algumas transportam o hábito de dar álcool ao filho, de indirectamente para directamente. Isto é, 3-4 anos após o seu nascimento, enquanto a mãe estiver a beber, na presença do filho, faz com que ele prova um pouquinho. Estas crianças, inocentes, começam a dar os primeiros passos para se tornarem activos no consumo, por intermédio das mães.

Bebe e fuma desde os 15 anos

Apesar de a venda de bebidas alcoólicas ser proibida à menor de 18 anos, isto não se faz sentir em muitos postos de comercialização deste produto, já que cada vez mais temos flagrado crianças e adolescentes mais próximos e fácil do seu alcance.

O jovem Leandro, também conhecido por Leo-Pi, foi influenciado pelos amigos a consumir cerveja quando tinha 15 anos. Conta que tinha um amigo, no Cazenga, que pagava cerveja a todos os elementos do grupo e, para não ser excluído ou chamado de fraco, viu a necessidade de começar a consumir também.

Leandro, que além de beber também fuma (há três anos), disse que num dia consegue acabar uma grade de cerveja Cuca e em 5 horas pode fumar até 12 cigarros. Não tem problemas em comprar estes produtos, pois, desde que foi expulso de casa, trabalha como ajudante de barqueiro no embarcadouro do Mussulo.

“Eu sustento os meus vícios. Ganho diariamente 1000 à 3000kz, dependendo do dia. Os meus pais sempre conversaram comigo, os meus irmãos também, para deixar de fumar e beber, mas não consigo. Tenho-lhes dito que estou a fazer um esforço para deixar esta vida, mas não consigo, e não sei porquê”, disse ele.

Aquele jovem aponta ainda que os seus pais têm feito de tudo para tirá-lo das drogas, impedindo-o de sair, por exemplo, mas ele arranja sempre forma de estar com os amigos. Hoje, pertence a um grupo de adolescente do Morro Bento e, de vez em quando, arranja tempo para estar com os amigos do Cazenga.

Enquanto conversava com o nosso repórter, Leandro estava em estado de embriaguez e acabava de fumar um SL (sua marca favorita de cigarro), para ganhar coragem. Recorda que concluiu apenas a 6ª classe, quando os pais ainda pagavam os seus estudos, mas tenciona regressar à escola no próximo ano e seguir com o sonho de ser enfermeiro ou jogador de basquetebol.

Leo- Pi, como prefere ser chamado, não é o único dos seus amigos (tanto do Cazenga quanto do Morro Bento), com a mesma idade ou menor, que fuma e bebe. Ele, tal como disse, é o único que não tem vergonha de assumir a sua situação, por isso, está confiante que em 2014 estará “fora do fumo e da birra”, afirma.

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Da gustação à dependência

Alcoólatras muito cedo

 

A geração do álcool tem feito vítima, tornando com facilidade os adolescentes e jovens dependente deste produto e muitos não conseguem sustentar o vício, tal como o Leo-Pi, e acabam por roubar como é o caso do Mauro Firmino, um adolescente que está a ser assistido pelo centro REMAR.

Mauro, de apenas 17 anos, começou com 14, por intermédio dos seus companheiros do Golfe II. Conta que roubava dinheiro para comprar bebida e quando a sua tia descobrir chamou a polícia, “fugiu para casa do seu cunhado, onde tem uma loja de bebidas – que depois decidiu assaltada com os amigos”.

“Sempre que chegava em casa embriagado os meus tios não davam conta porque mentia que estava com dor de barriga. Bebia meia grade de cerveja e uns copinhos de vinho. A bebida atrasou a minha vida, porque eu estudava 7ª classe e sonhava em ser pedreiro. Hoje dou graças a minha irmã, por me ter trago neste centro, e aconselho os jovens a deixarem o álcool”, disse Mauro Firmino.

“Não matamos Jesus, por isso não vamos parar de beber”, é este o lema do grupo de amigos de Gil Marcelino, 18 anos, também, um dos jovens que está a receber tratamento no supracitado centro, por influência de sua irmã. Antes de ali estar a sua vida era só “torrar e naitar sem parar”, disse.

Gil começou esta experiência com 17 anos, também por intermédio dos amigos, e não foi preciso passar muito tempo para que se transformasse num dependente, pois além disso, como disse, também conheceu a noite muito cedo, “frequentava muitas festas, uma vez que o seu irmão mais velho monta luzes negras”.

Antes de ter ingressado na «geração do álcool» era um indivíduo que não via razões que levassem as pessoas a este tipo de consumo, mas desde que provou uma cerveja pela primeira vez, ficou fascinado e não pensava em se desfazer dela.

“Nunca pensei que deixaria de beber, nós (eu e os meus amigos) dizíamos sempre isto: já que não fomos nós que matamos Jesus, não vamos deixar a bebida. Hoje, graças à Deus, a minha irmã mais velha e alguns irmãos daqui da REMAR, já não defendo isto”, disse ele que tem o tom de voz grave, fruto do consumo de cigarro Aspen e de aproximadamente uma grade nas «noites» que frequentou.

O ex-dependente está há 4 meses naquele centro e assume ter coragem de conversar com os seus amigos para deixarem o vício, mas “a melhor cura para quem é alcoólatra é, ele próprio, mostrar interesse em mudar a sua vida e não ser obrigado a estar num centro de reabilitação – deve vir por livre vontade”, aponta.

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A matemática desta geração

Álcool+ Música alta = Concentração de jovens

Festas de bairro: vulgarmente conhecidas como bodas, sentadas, rav’s, tarde e noite, são os locais que tomaram conta da maior parte dos adolescentes e jovens, nos últimos tempos. Aqui o consumo excessivo de álcool é frequente, pois nenhum dos organizadores deste tipo de actividade arrisca a realizá-la sem assegurar grandes quantidades de bebidas.

Segundo um dos realizadores de festas no Cine África, Cazenga, enquanto falava sob anonimato para o nosso jornal, uma «noite» bem organizada, onde o local supracitado fica completamente cheio, gasta aproximadamente USD 3000 só em bebidas (mais alcoólicas).

Embora não tenha adiantado nada quanto ao lucro, o realizador de eventos aponta que nos aspectos ligados à bebida dificilmente sai a perder porque “quem está na festa vem sempre com dinheiro para consumir”, disse ele acrescentando ainda que cobra o dobro do valor que normalmente o cliente está acostumado a comprar na rua, mas mesmo assim os festeiros têm aderido. A caipirinha de Múcua, as cervejas Cuca, Spirit, Nocal, Super Bock e Sagres Mini, são as que mais vendem.

Maratonas: é também um local com maior concentração de álcool e seus usuários. Com entrada livre e «bar-fechado», normalmente o ambiente é composto de várias roulottes ou barracas e um DJ para animar os consumidores.

Os bairros luandenses estão «minados» de maratonas, inclusive alguns largos que serviam de área para laser ou prática de desporto desapareceram. A paragem do Triângulo dos Congolenses, o largo da Corimba, largo da Tourada, são alguns dos inúmeros locais, na cidade capital, que maior parte dos fim-de-semana servem para a realização destas actividades.

“Antes, as conhecidas maratonas eram móveis e só apareciam nos feriados, ou véspera das eleições, mas actualmente são fixas e as administrações locais não conseguem conter (se é que querem!) esta febre. Quem sofre somos nós, pela música alta, luta de grupo e a cheiro de xixi, já que os consumidores não têm sítio para urinar, senão nas paredes das nossas casas”, reclamou, Josias Kibeto, que vive próximo a um largo, no bairro Zamba IV, transformado recentemente em local para maratonas.

Discotecas: o que também aumentou, nos últimos tempos, é o número de discotecas. Alguns empresários apontam que fica bem mais fácil e rápido lucrar, construindo discotecas e patrocinando festas de bairro. A actual juventude tem valorizado mais as coisas desnecessárias em relação as que deviam ser primordiais. Dificilmente vê-se uma discoteca sem a casa cheia, num final de semana. Por mais que nestes locais a bebida fica mais cara (uma cerveja à 500 ou 200kz), os jovens consumem em grandes quantidades.

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Como vamos parar de beber se continuam a fabricar álcool?

Esta foi a pergunta que Lopes Manuel Morais, de 37 anos, fez enquanto debatia com os seus amigos de Benguela, que mostravam-se preocupados com o facto de já não haver muita diferença entre as mulheres e os homens no que concerne ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas.

“Por um lado aparecem algumas pessoas a falarem que beber faz mal a saúde, mas por outro, as fábricas de cerveja não param de mandar para o mercado um número tremendo de bebidas. É impossível privarem as pessoas de consumir, porque até mesmo os governantes têm acções nas empresas produtoras de álcool”, alega ele que também esteve perdido neste «labirinto alcoólico».

Para Lopes, se dependesse dele não aconselharia ninguém a beber moderadamente, mas “a não beber, mesmo, porque o álcool destrói, fisicamente e espiritualmente, a pessoa”, disse ele, antigo usuário de liamba e bebidas espirituosas (Kapuca, Katrungungo e The Best).

Lopes começou a beber por curiosidade, foi aumentando a dose diária de consumo e teve uma recaída quando perdeu a mãe e, temporariamente, o emprego, como nos conta. Pensava que o álcool resolveria os seus problemas, mas depois deu-se conta que este consumo o distanciava cada vez mais da solução.

Quem compartilha a mesma opinião que aquele interlocutor é o Wilson Gonçalves, 34 anos, que está há 3 meses no centro REMAR. Ele acha que beber é um autêntico desperdício e hoje se arrepende de já o ter feito por excesso, desde os seus 19 anos. Tem uma filha e se tivesse de recuar o tempo para dedicar-se mais à ela, faria isto sem hesitar. “O álcool é bem mais perigoso do que imaginamos”, alertou.

 

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Responsável do Centro de reabilitação

“Devem diminuir a produção e importação de álcool”

A REMAR, na voz de Eduardo Prata, mostrou-se preocupada com o crescimento de toxicodependentes e aponta como uma das medidas para que este «facto triste», como prefere chamar, possa mudar, a adopção de políticas governamentais que visam a diminuir, significativamente, a produção e importação de bebidas alcoólicas.

Aquele responsável lamentou o facto das bebidas alcoólicas terem a maior patente, em relação a comida, quando devia ser o contrário, já que existe muita gente ainda a morrer de fome. “Há que se olhar para aqueles que mais necessitam e, por isso, a comida devia ser mais valorizada que o álcool - que só destrói a nossa juventude”, disse ele que também já foi alcoólatra.

Aquele centro de reabilitação está actualmente com 142 toxicodependentes, tendo acolhido, desde a sua fundação em Angola, mais de 5000 pessoas. Alguns permaneceram, outros foram reabilitados e reinseridos na sociedade.

Desde o princípio do corrente ano, como fez saber, o número de recepção disparou para mais de 100 pessoas, mas infelizmente apenas permaneceram 50, tendo a outra metade decidido fugir sem acabar o tratamento. “Tem havido fuga – uns saem pela porta, outros pulam o morro. Não obrigamos ninguém a ficar, porque a nossa instituição não prende as pessoas. Quem quiser sair, conversa com a direcção e nós conversamos com a sua família”, reforçou.

Apesar da fuga de pacientes ter diminuído, nos últimos tempos, uma vez que tiveram de aumentar a altura do morro, o nosso entrevistado enfatiza que se o paciente estiver a fazer confusão, não são obrigados a permanecerem com ele, já que a cura não deve ser obrigada e sim aceite.

«Jovens trocam Igreja por discoteca»

“No que diz respeito ao álcool, a nossa juventude está-se a perder. Todos os dias têm festas, bebem ao ponto de pensarem que aquele é o último dia da sua vida. É triste”, mostrou a sua preocupação, Eduardo Prata, responsável da Quinta do Oleiro – o primeiro departamento que recolhe os toxicodependentes do sexo masculino, antes de passarem para a fase seguinte que é o convívio com os mais antigos.

Irmão Prata, como é carinhosamente chamado, está naquela instituição há 7 anos, e hoje não tem dúvidas de que estamos diante de uma «geração do álcool» – onde a juventude encontra-se completamente escrava; com um triste futuro a se avizinhar, com número exorbitante de álcool a entrar e a ser produzido no país.

É complicado, acrescentou, ver miúdos de 13 anos a beber, fumar e dormir fora de casa, como se fosse algo normal. Estes jovens trocam igreja por discotecas, convívios ou maratonas. “Deviam ter cristo nas suas vidas, para que sejam vitoriosos. Eles reclamam o desemprego, mas, ainda que tenham emprego, acabam por gastar o salário na bebida. Então, só cristo lhes pode salvar”, apontou.

Para finalizar, importa realçar que no centro REMAR os jovens aprendem a pedreira, carpintaria, electricidade, e outros tipos de profissão, de modo a não ficarem sem ocupação. Têm estudo da bíblia, todos os dias, além dos cultos e orações matinais. As pessoas têm o prazo de 1 ano para tratamento e muitos, depois de passado este tempo, são dispensados.

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Caminhos que levam ao consumo do álcool

O meio: muitos são os jovens que têm sido influenciados pelo meio, uns com medo de serem tratados por «chonés» diante daqueles que fazem o uso de bebidas alcoólicas. Em algumas zonas existem pessoas que não aceitam conviver com quem não «bebe» e, para não se sentir excluído, há quem prefere entrar no mundo dos que bebem.

Curiosidade: o sentimento de experimentação atormenta e acaba por levar os que não conseguem se controlar ao «copo». Prova uma cerveja, mais uma e, por fim, passa a consumidor activo, por ter gostado da experiência.

Incentivo dos pais: em algumas famílias é a mãe quem dá a oportunidade gustativa ao filho (enquanto criança). Sociólogos apontam que pais que fazem o uso de bebidas alcoólicas tendem à influenciar os filhos (in)directamente.

Orientação médica: para prevenir certas doenças alguns médicos recomendam o uso moderado do álcool. Ao contrario disto, alguns dos pacientes (in)felizmente têm excedido o consumo. O álcool tem os seus benefícios também, segundo um estudo realizado em 2002, a 130 mil pessoas, na Califórnia, que bebiam vinho e cerveja. Os pesquisadores encontraram 35% menos de mortes por infarto entre os que tomavam vinho tinto ou branco, comparados aos que bebiam cerveja.

Outros factores sociais: o desemprego e a falta de ocupação tem sido a justificação de muitos para entrarem no mundo do álcool; as publicidades agressivas do álcool nas televisões, rádios e outros meios de comunicação; fracasso nos relacionamentos; perda de um entrequerido; fracasso académico; existência de mais actividades culturais associadas ao álcool, etc. 

Caminhos que o consumo do álcool nos leva

Embora seja ignorado por muitos, os médicos não se cansam de dizer o que pode causar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Entre as doenças mais comuns estão:

Doenças cardiovasculares como infartos devido à aterosclerose provocada pela má alimentação que também altera o nível de lipídeos e eleva as taxas de colesterol e triglicerídeos.

Gastrite e gastroenterite são as doenças mais comuns nos alcoólatras. O tratamento das duas enfermidades é a abstinência do álcool e dieta balanceada.

Tuberculose e pneumonia que causam dores no tórax, cansaço, febre e escarro sanguíneo, reversível em geral com repouso, antibióticos e boa alimentação.

Pelagra deficiência grave de vitamina B3 que compromete as funções mentais, fazendo o doente agir como se estivesse fora da realidade. O quadro é irreversível e pode levar à morte.

Pancreatite destruição das células do pâncreas que evolui várias rapidamente para o diabetes.

Hepatite que evolui facilmente para cirrose, que é fatal. Neste caso o paciente perde peso e acumula líquido nas pernas e abdómen, pele e olhos amarelados, febre e dor abdominal.